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Existe amor? .
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Não existe amor. “Haverá o ser que ama, e não o amor”
Lancei essa pergunta em sala de aula. Devolveram-me a pergunta. Respondi que não. Quase me bateram. Reforcei o “não”. E me justifiquei: Não existe amor. Existem atos de amor, manifestações de amor. Aí os ânimos se acalmaram, acho que acabaram por aceitar meus argumentos.
“Amor” é abstrato. “Amores” significa pessoas, coisa, gestos humanos etc. E, na prática, o amor é bem assim: só existe através de símbolos, de “coisinhas miúdas”. Não é sem razão que, na língua alemã, se emprega letra maiúscula em todos os substantivos e palavras substantivadas.
Abstração representa o substrato da coisa, a essência comum a esses seres, captada pela inteligência através, inicialmente, dos sentidos externos, audição, tato, olfato, visão e gosto. Concreto, é, pois, o termo que se aplica ao indivíduo, seja ele do reino mineral, animal ou humano. Entendo que uma parte, pelo menos, dos animais demonstra afeto entre si, sobretudo da mãe lactante ao filhote. Dependendo da planta, essa, além de graciosa, exala um perfume que quase perfura as narinas. Só mesmo por metonímia se há de dizer, com peculiar vigor de estilo: “Difícil conduzir aquela bondade trôpega ao cárcere, onde curtiam pena os malfeitores”. (Graciliano Ramos). Entenda-se por bondade o bom velho.
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“O amor – escreve Cyro dos Anjos, em seu romance, Abdias, – sempre me pareceu algo indefinível, nas suas infinitas gradações e na sua variedade, de indivíduo para indivíduo. Dele se poderá dizer, porventura, o que dizem os médicos em relação à doença, cuja existência, em si, negam: Há doentes, e não doenças. Haverá o ser que ama, e não o amor”.