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Mockus j� esteve aqui

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| MARCIAL LIMA * Falamos (GA, 11.06.08) da produção acadêmica resultante do projeto ?A Escola como Pólo Cultural da Comunidade?; fato gerador de eixos para ação de agentes culturais junto às unidades de ensino. Na seqüência, exemplificamos um, entre os diversos trabalhos concretizados. Na Escola Theonilo Gama, agentes fugindo das costumeiras receitas prontas, convidaram os jovens a participar de jogos de integração, relaxamento, sensibilização, observação, expressão corporal, comunicação verbal. A partir daí, como a opção foi, através do teatro, contar a história de sua comunidade, os educandos foram convidados a levantar a realidade do bairro: sua origem, como o sítio de Seu Jacinto se transformou no Jacintinho. A força das crenças e como se davam as manifestações religiosas. Qual o espaço da cultura popular. As conseqüências da pobreza e da miséria. A incidência de drogas, DST?s, da gravidez precoce. Como os meios de comunicação de massa, homogeneizantes, impõem estereótipos, representando o bairro como um lugar da violência e da desordem, ?contribuindo para que seus moradores sejam vistos socialmente sob o estigma da marginalidade?. Retornando à escola, e tendo as artes cênicas como recurso de expressão, o material colhido foi a matéria-prima dos próximos passos. Os jovens, paulatinamente ? e cada um a seu tempo ? passaram a tomar consciência de como seu território/escola/comunidade envolve referências que influenciam as relações dos habitantes entre si e com o lugar; inclusive em suas relações com o não-humano: destino do lixo, falta de saneamento, poluição, ausências de equipamentos de lazer. As reflexões resultaram na peça ?Jacintinho: aqui não se nasce nem se morre?, fruto da evidência de que, apesar da extensão geográfica e do elevado índice populacional, lá não existe maternidade nem cemitério. ?Nascemos fora e, ao morrermos, somos expulsos?. Como é viver nesse vácuo?? Cada apresentação, fortalecida pelas expressões da cultura popular, gerava forte alteridade com a platéia, motivando debates enriquecedores. Indo ao Congresso Nacional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência ? SBPC, em Salvador, fez jus ao troféu de Iniciação Científica. Pelo protagonismo juvenil, os educandos se davam conta de que era possível tornarem-se agentes transformadores de sua própria história. Isso é cultura cidadã. Sem dúvida: Antanas Mockus já passou por aqui. (*) É professor e presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural ? FMAC.

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