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Opinião

O drama da viol�ncia e os dados hist�ricos

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| JOALDO CAVALCANTE * ?O nocivo costume de carregar armas como ornato está quase extincto. Não é impossível percorrer o viajante a Província em quase todas as suas direcções, e não encontrar armas nas mãos do povo. Tenho sido inflexível neste ponto?. O conteúdo da mensagem descrita possui forte relação com o drama vivenciado pelo cidadão moderno. O texto se confundiria com o presente caso não fossem a grafia antiga de nossa língua portuguesa e a autoria, remetendo-nos a Alagoas de mais de cento e cinqüenta anos atrás, quando o presidente da Província, Antonio Coelho de Sá e Albuquerque, acabava de remeter aos ?Senhores Membros da Assembléia Legislativa Provincial?, a sua prestação de contas. Além de dramática atualidade, a mensagem de Sá e Albuquerque, presidente da Província em 1856, revela a angústia com a violência de um mandatário alagoano em pleno século 19. No seu relato, generoso espaço é destinado às providências para manutenção da ordem pública. Veja o que ele diz acerca da segurança: ?Amestrado pela dolorosa experiência do passado, o povo alagoano comprehende perfeitamente que a tranqüilidade pública é o primeiro elemento de prosperidade de um paiz?. Ainda antes, em 1853, o presidente da Província, José Antonio Saraiva, também enfatizava em sua prestação de contas o recorrente problema da violência em Alagoas. Logo nas primeiras linhas, a mensagem à Assembléia Provincial documenta: ?Tem-se conseguido a captura de afamados facínoras, que povoam nossas prisões; e, apezar de estar bastante atulhada a cadeia desta capital, ainda recebe criminosos remettidos do interior?. Estes trechos compõem o farto documento ?Fallas, Relatórios Provinciaes e Mensagens Governamentais de Alagoas, de 1835 a 1930?. Motivado pelo tema, poderia externar minhas preocupações quanto à violência urbana e sobre o antigo e nefasto manto protetor da impunidade, quase institu-cionalizado. Fica para depois. Resolvi realçar o valor da documentação histórica e do trabalho organizativo efetuado pelo médico e escritor Luiz Nogueira Barros, com apoio da Academia Alagoana de Letras e da Fundação Casa do Penedo. Ao todo, serão catorze volumes. Nogueira já viabilizou o segundo. Como se trata de prestação de serviço de caráter público, merece o apoio de todos, pois precisamos preservar nossas referências, para melhor compreendermos o que somos e aonde desejamos chegar. . (*) É jornalista e ex-secretário de Comunicação do Estado de Alagoas.

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