Opinião
Por �gua abaixo - Editorial
Em documento divulgado na semana passada, a Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que cerca de 1,2 bilhão de pessoas em todo o mundo ?carecem de abastecimento constante de água. Mais de 2,6 bilhões vivem sem instalações sanitárias adequadas?. Prossegue o documento: ?Cerca de 80% dos problemas de saúde se relacionam com a qualidade da água ou com instalações sanitárias impróprias, e causam a morte de aproximadamente 1,8 milhão de crianças por ano, bem como a perda de 443 milhões de dias de aula para os que sofrem?. E por que esta questão ambiental está analisada num relatório que tem como título ?Informe Global sobre a Corrupção 2008?? Porque a água está se valorizando, a cada dia, como preciosidade. E, em torno deste valor intrínseco, ampliado pelas condições de degradação ambiental mundial, estendem-se com mais força os tentáculos das ações criminosas e dos jogos de poder. Segundo o estudo da ONU, ?o uso excessivo e a contaminação transformaram os ecossistemas aquáticos no recurso natural mais degradado do mundo. Mais de três bilhões de pessoas poderão viver em países que sofrem escassez de água, até 2025?. A bem da verdade, muito antes do aquecimento global ferver corações e mentes ecológicas pelo mundo afora, a água é fonte de poder político ? isso desde os tempos imemoriais. Civilizações antigas foram edificadas por entender, dentre outras coisas, o valor político e econômico da água (o antigo Egito, por exemplo). Com o advento da modernidade, porém, tudo indica que a euforia com a industrialização fez boa parte da humanidade esquecer seus laços indissolúveis com a natureza. O Brasil tem essa riqueza seminal em abundância, mas desconsidera esse tesouro líquido como tal, e corre o risco de desperdiçar irremediavelmente mais essa fonte de vida e desenvolvimento.