Opinião
Quando Th�mis � invocada
| CLÁUDIO VIEIRA * A influência da mitologia grega na cultura ocidental é inegável, sendo fonte de simbolismos que, como tais, representam verdades ideais. É o caso da deusa Thêmis, filha de Gaia (Terra) e Urano (Céu), esposa de Zeus, a quem conquistou por sua beleza e retidão de caráter. A Thêmis dos gregos é a mesma Iustitia dos romanos, figurada na bela mulher de esguio talhe, vendada, a segurar a balança da equidade. Mestres da simbologia, os antigos helenos fizeram-na casada com Zeus, significando que até mesmo um deus supremo a ela está submetido. O que tem isso a ver conosco, nessa atualidade de modernismos onde até mesmo o Deus cristão é questionado? A atualidade de Alagoas tem tudo a ver com a Thêmis dos gregos, notadamente no que concerne aos incidentes envolvendo a Assembléia Legislativa. O comportamento dos senhores deputados, aqueles que foram afastados da Mesa Diretora ou de seus cargos políticos, sugeria serem os mesmos seres olímpicos, superiores a tudo e a todos. Igual qualidade acometeu os substitutos na direção da Casa Legislativa. Se aqueles não atendiam às determinações judiciais, esses evitavam cumpri-las. Os primeiros misturavam o público com o privado; os atuais liberavam-lhes pagamentos, mesmo ao arrepio dos comandos jurisdicionais. Constatado o excesso no duodécimo do Legislativo, os dirigentes, os antigos e os novos, faziam ouvidos moucos aos apelos do governador e rejeitavam projeto de lei de redução dos valores. Nesse quadro caótico em que os políticos, profissionais escolados, cometeram o erro grave de não auscultar a voz do povo, quando deveriam quedar-se mesurosos, reverentes, diante da autoridade popular, a Justiça, em três simples movimentos, impôs a vontade da lei e do Direito. Primeiro, o juiz Gustavo Souza Lima destituiu a Mesa renitente; no segundo momento, o desembargador Antônio Sapucaia, além de manter a decisão do juiz Gustavo, suspendeu-os, e a outros, do exercício do mandato, vedando-lhes receber mais do que seus subsídios depurados de verbas de gabinetes e quejandas. Agora, o desembargador José Holanda, presidente da Corte estadual, determina à atual direção do Legislativo o fornecimento das informações há tanto queridas pelo Ministério Público, em nome da transparência que deve presidir os atos do gestor público. (*) É advogado militante.