Opinião
Atrevimento mortal - EDITORIAL
Chocante, tragicamente emblemática, a cena do jovem policial militar agonizando, depois de alvejado sob a luz do dia, no Centro da cidade. Em torno da vítima, ainda de capacete de motoqueiro, quatro colegas de farda ? absolutamente perplexos e impotentes. Uma cena feita de sangue, imagem terrivelmente representativa do quadro de insegurança pública que asfixia nosso Estado. Poder-se-ia dizer, sem errar, que nos grandes centros urbanos brasileiros (como Rio e São Paulo) a tragédia é ainda maior (vide o caso do Morro da Providência). Mas evitemos essa comparação, para impedir quaisquer tentativas de relativizar a questão em prejuízo da indignação necessária de ser expressa como resposta a esta realidade alagoana. No caso em tela, o assassinato do jovem PM, ontem, a principal pergunta não é o porquê do trucidamento. Independente da motivação dos criminosos (condenável qualquer que seja), o que chama a atenção no fuzilamento de ontem é o claro sentido de provocação imposto pelos sicários. Alvejar um integrante da PM, devidamente fardado e em plena atividade policial, defronte à um órgão da Justiça (a sede do Tribunal Regional Eleitoral), numa praça central da capital alagoana, é uma indiscutível provocação à cidadania, provocação essa especialmente dirigida a toda estrutura policial de Alagoas. Um recado insofismável e atrevido dirigido ninguém sabe por quem para quem todo mundo sabe. Todo o amplo agrupamento de autoridades e entidades formado em torno do combate ao crime organizado é o destinatário de tão acintoso ato provocativo. O alvo não é apenas a atual estrutura da Defesa Social; o objetivo é a desmoralização do esforço coletivo visando a mudança da realidade de segurança pública em Alagoas. O que o crime organizado almeja é assassinar a esperança da ordem e da paz em nosso Estado.