Opinião
O Ano Paulino
| DOM EDVALDO G. AMARAL * O papa Bento 16 promulgou para toda a Igreja um especial Ano Jubilar Paulino no sábado passado, na Basílica de São Paulo ?fora dos muros? em Roma, a ser encerrado no próximo ano de 2009, por ocasião do bimilenário de nascimento do Apóstolo das Gentes, que os historiadores põem entre 7 e 10 d.C. O convite do papa é um incentivo a acolher o testemunho de São Paulo. ?Nas suas Cartas, o apóstolo das nações muitas vezes repete que tudo na sua vida é fruto da iniciativa gratuita e misericordiosa de Deus (cf. 2Cor 4,1; Gl 1,15). Ele foi escolhido para anunciar o Evangelho de Deus (Rm 1,1) para propagar o anúncio da graça divina que reconcilia em Cristo o homem com Deus, consigo mesmo e com os outros? , disse Bento 16 em sua homilia. E continua mais adiante: ?Nem a morte, nem a vida?, escrevia Paulo aos romanos (Rm 8,38), nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor?. E ainda Bento 16: ?Como nas origens, também hoje Cristo precisa de apóstolos prontos a sacrificar-se a si mesmos. Precisa de testemunhas e de mártires como São Paulo; antes violento perseguidor dos cristãos, quando no caminho de Damasco caiu no chão fulgurado pela luz divina, passou sem hesitação para o lado do Crucificado e seguiu-o sem titubear. Viveu e trabalhou por Cristo; por ele sofreu e morreu. Como é atual, hoje o seu exemplo!? Mas o testemunho de Paulo ? lembra-nos Pier Guiducci da revista Maria ? não se desenvolve de improviso; ele experimenta as difíceis fases da conversão, a exigência da solidão na oração, a importância de construir uma nova fraternidade com seus novos irmãos, os discípulos de Cristo, que ele tanto odiara, a exigência de reler a escritura, à luz do evento pascal. A existência terrena de Paulo termina com uma condenação à morte, precedida por uma prova duríssima: a da solidão. Ele escreverá que só Lucas ficou com ele (2Tm 4,11). Essa experiência de martírio indica uma vontade definida em São Paulo: a de não calar a verdade, não escolher caminhos mais cômodos e, sobretudo, menos perigosos. Que o grande convertido de Damasco, ?servo do Cristo Jesus, chamado para ser apóstolo, separado para o Evangelho de Deus, a fim de trazer para a obediência da fé, para a glória do nome de Jesus Cristo, nosso Senhor, todas as nações? ( Rm 1,1 e 5), nos ajude a vivermos com fé e fortaleza nosso compromisso batismal com o Cristo Jesus. (*) É arcebispo emérito de Maceió.