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A greve dos m�dicos

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| MARCOS DAVI MELO * Iniciou-se esta semana um movimento grevista inusitado no País: porque os participantes não vão continuar ganhando os seus salários como geralmente ocorre nas greves do funcionalismo público. O poder público vai ter até contenção de despesas com o que se pagaria a estes profissionais e aos hospitais que atendem os pacientes do SUS. Todavia, mais uma vez os maiores prejudicados serão os pacientes que tem o SUS como a sua única alternativa de atendimento a seus muitos problemas de saúde. Para que se chegasse a esta posição extremada foi preciso que a situação chegasse ao extremo de aviltamento atual, quando após mais de 12 anos sem reajustes, uma tabela que já era defasada tornou-se totalmente inviável na prática; tão inviável que mesmo os médicos que dependem deste procedimento para pagar as suas contas preferiram parar de trabalhar nestas condições. Para se entender melhor o quanto estes procedimentos pelo SUS estão defasados, neste período de 12 anos sem reajustes, a inflação pelo IGPM foi de 450%, e os médicos não tiveram nada; para os hospitais a situação é igualmente dramática, pois a inflação de produtos e equipamentos médico-hospitalares foi ainda maior e a cada procedimento realizado o prejuízo em atender ao SUS aumenta. Se, o governo tivesse por costume fazer o que toda dona-de-casa faz: suas contas; saber o custo e o benefício das coisas que paga, certamente investiria muito mais nestes médicos autônomos e nestes hospitais privados e filantrópicos que atendem ao SUS (que em Alagoas e em todo o País são responsáveis pelo maior número dos atendimentos). O governo só paga pelo procedimento; exemplo: por uma cirurgia para retirar um estômago com câncer (gastrectomia ), paga 220 reais para toda a equipe. Caso vá fazer o mesmo atendimento em um hospital público, o governo além de pagar o procedimento, terá que contratar os médicos, os enfermeiros, toda a equipe de apoio e manter o hospital todo, o que sempre é muito caro e nem sempre os resultados correspondem aos custos. Sem pensar nas aposentadorias futuras e o que representam para o INSS. Quando no Brasil os governos tiverem a responsabilidade de realmente avaliar com critério e seriedade o custo benefício das coisas que administra e se o beneficio gerado corresponde aos custos, o atendimento médico-hospitalar para o SUS através dos médicos autônomos e dos hospitais filantrópicos e privados terá a atenção e o respeito que sempre deveriam ter tido. (*) É médico e professor da Uncisal.

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