Opinião
Perguntas ao vento
| GEOBERTO ESPÍRITO SANTO * A energia eólica é cara (R$ 200/MWh) para competir com as hidrelétricas (R$ 72/MWh), mas dentro das características do modelo energético brasileiro é inevitável o seu desenvolvimento. Hidrelétricas na Amazônia significa reservatórios pequenos e no restante a dependência das chuvas. Quando os reservatórios estiverem baixos, situação com a qual vamos conviver anualmente, as térmicas serão chamadas para operar. Devem ser acionadas as térmicas a gás natural (R$ 138/MWh), mas já vimos que não temos esse energético para fazer funcionar todas as usinas instaladas. Nesse caso, entram em operação as térmicas movidas a carvão e óleo combustível, com custo que varia de R$ 370 a R$ 600/MWh e mais poluentes. Sendo assim, porque não as eólicas? O Nordeste é a região privilegiada do Brasil, principalmente os estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. Nosso potencial é de 75.000 MW, com melhores resultados no litoral. Comparando, o Brasil tem hoje 108.000 MW instalados de todas as fontes. O apelo para investir em fontes limpas de energia é grande em todo o mundo. Dinheiro para investir em energia eólica no Brasil e em Alagoas, não falta. Tem investidor brasileiro, português, espanhol, francês, americano, italiano, alemão, e de tantas outras nacionalidades. Por que as nossas ações estão restritas aos 1.100 MW do Proinfa 1 (Programa de Incentivos às Fontes Alternativas), dos quais nem a metade está funcionando? No Proinfa 1, a Eletrobrás assumiu a diferença do preço para as hidrelétricas e pagamos todos nós, via tarifa. Dizem que não há mais espaço para isso, mas continuamos bancando a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), pela qual subsidiamos geradores a diesel para que nossos irmãos do Norte recebam energia barata. Temos de fazer leilões específicos para energia eólica, porque não dá para competir com as hidro. A energia eólica deve ou não ser tratada como fator de desenvolvimento do Nordeste? A remuneração do investimento em 15 anos aumenta o custo da energia, porque deveria ser em 20. A legislação exige uma nacionalização de 60% para a obra. Sem perspectiva de um novo mercado, apenas um fornecedor se instalou em São Paulo e não consegue atender a demanda nacional. Recente decreto transferiu do empreendedor para os consumidores do sistema interligado o custo de conexão da eólica com a rede básica. Não está na hora de se definir um marco regulatório para as fontes alternativas no Brasil? (*) É consultor e professor da Ufal.