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Torcidas e viol�ncia: condi��o ou estigma?

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| AMANDA FARIAS * O envolvimento das Torcidas Organizadas de Futebol (TOFs), nos últimos tempos, em episódios de violência e intolerância nos estádios tem colocado em discussão, nos universos esportivo e social, a seguinte questão: extingui-las ajudaria a diminuir os relevantes índices de violência no meio futebolístico ou estaria ferindo um direito constitucional de livre expressão e associação? O fato é que as experiências de se por fim às torcidas organizadas não tem dado os resultados esperados. No Brasil, e também em Alagoas, não se percebeu significativa redução da criminalidade a partir da extinção oficial desses grupos. A violência continua existindo nesse cenário porque não é ?privilégio? dos esportes e sim um fenômeno com fatores sociais inegáveis. O futebol é apenas mais uma esfera de manifestação do problema. Assim como o futebol está intimamente ligado à História do nosso povo, estão também, talvez com a mesma intensidade, as formações de TOFs. Com um perfil diferenciado daquele da década de 40, de caráter estritamente familiar, as organizadas modernas caminharam de mãos dadas com o desenvolvimento do desporto como um todo, mas também herdaram as marcas do complexo processo de urbanização e crescimento das cidades. Observa-se que os membros das TOFs experimentam o estimulante sentimento de pertencimento a um grupo, dando-lhes visibilidade em meio a uma realidade cada vez mais problemática e individualizadora. Assim, vivem as torcidas organizadas como lugar seguro, onde é possível construir alicerces e firmar bases para uma vivência social e subjetiva reconhecida. A questão da violência entre torcedores está vinculada a fatores outros que não nos autorizam associá-la exclusivamente a tais Organizações. Este fenômeno, de caráter urbano, abarca múltiplos fatores e é característico de uma conjuntura social nascida a partir das transformações ocorridas em escala mais ampla. Neste momento, há um sentimento de perda de referenciais de alteridade que levam muitos a nutrirem a sensação de que o abrigo e a comunidade só podem ser resgatados através da inserção em um meio que os devolva o amparo e conforto perdidos no tempo. Essa realidade, que tem no esvaziamento identificatório e no não reconhecimento da alteridade seu maior dano, desemboca no enfraquecimento da condição humana levando-os a atos cada vez mais grotescos que, claramente, não acabam com o fim das Torcidas Organizadas. (*) É mestranda em Sociologia e membro do Núcleo de Estudos sobre a Violência em Alagoas ? Nevial.

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