Opinião
Minha visita � �ndia
| LYSETTE LYRA * Já havia estado na Índia há 63 anos atrás. Era inverno e a temperatura estava muito agradável. Esse país tão antigo, envolto num misticismo exaltado, numa cultura mágica, encantou-me na primeira vez que o visitei. Pobre e superpopuloso, guardava, apesar de tudo, um exotismo curioso e intrigante. Havia conhecido apenas três cidades: Calcutá, que acolhia, na época, os refugiados do Paquistão em guerra; Nova Delhi, mais organizada e Agra, dominada pela majestosa presença do Taj Mahal e pelo lindo Palácio do Forte Vermelho. Essa nação possuía, então, 700 milhões de indivíduos. Depois da China era a mais habitada no mundo. Trouxera da Índia uma lembrança sedutora. A idéia de revê-la me dominou inteiramente. Esqueci minha idade e minhas limitações atuais e lancei-me na aventura. Animada, tomei o avião da Emirates que em cinco horas nos levou de Dubai a essa terra misteriosa. O aeroporto, em construção, prometia um confortável espaço. Desci na parte já pronta, luxuosa e ampla. Mas, os protocolos para entrada no país e a temperatura de 48º, me deixaram exausta. Comecei a sofrer com o ônibus. Mal construído, com degraus altíssimos, no esforço de subi-los agarrada aos tubos de ferro que serviam de apoio, magoei os braços, já levemente sofridos em um acidente anterior. Notei que a Índia estava bastante mudada. Havia muito mais gente, muito mais tráfego nas ruas, muito mais pobres a perambular pelos caminhos e as casas estavam mais velhas e sujas. Não obstante haver muito mais edifícios luxuosos em Nova Delhi. O contraste era bem mais marcante. A Índia foi, por duzentos anos, colonizada pela Grã Bretanha, de que guarda marcas indeléveis. Por muito tempo foi um país dividido e dominado pelos Marajás. Um regime de castas separava os ricos dos pobres e estes últimos não tinham direito à educação. Eram chamados intocáveis, pois a classe mais alta não podia se misturar com eles. Em 1947, o país se livrou dos ingleses e há cinco anos os Marajás foram destituídos de seus poderes. A população, hoje, é de 1.170.000.000 de habitantes. Tentam controlar a natalidade sem muito sucesso. Nas cidades os casais procuram não ter mais de três filhos, mas, nos campos, onde a agricultura é familiar, mais um membro é sempre bem vindo para ajudar na lavoura. Porém 40% do total ainda são analfabetos. Hoje nota-se uma classe média alta regular, e há empregos para grande parte da população. Mas tem muito que fazer nesse país tão complexo, onde 22 línguas oficiais e mais mil dialetos são falados. (*) É escritora.