Opinião
Bebida alco�lica: toler�ncia zero
| JOSÉ MEDEIROS * Em absoluta descontração, alguns jovens divertem-se comemorando a aprovação de um deles no vestibular. A cerveja e o uísque correm soltos, na alegria da festa. Horas depois, Marluce lembra o refrão: ?Se beber não dirija, se dirigir não beba...?. Riem e afirmam que isso é coisa de velho, os jovens vivem a vida. Cristina, a mais eufórica, saiu-se com esta: meu pai é deputado, quero ver quem me pára na estrada. Marluce, a vestibulanda, pondera: levo seu carro. Nada disso, vou dirigindo, reafirma Cristina. Os rapazes aplaudem; iremos com você! Momentos depois, seguem viagem em alta velocidade. Cristina cochila e o veículo que ela dirige choca-se violentamente num poste: ela e dois colegas morrem na hora; os outros são levados ao hospital em estado muito grave e falecem no dia seguinte. Uma cena dolorosa, cruel, famílias em desespero, dores que perduram ao longo da existência. A edição de recente lei que impõe severas restrições ao uso de bebidas alcoólicas para condutores de veículos, com multa, prisão, apreensão da carteira de habilitação e até a perda do direito de dirigir durante um ano ? divide opiniões. Pessoas que ingerem bebidas à base de álcool não ligam para este assunto: isso passa... Entretanto, as mães que são mais prudentes no aconselhamento dos filhos, repetem o assunto todos os dias, acreditando que a repetição pode levar à mudança de atitude. O hábito da bebida alcoólica cria uma segunda natureza. Uma mãe argumenta para um filho: ?Você já me deu muito trabalho, mas amo você e não quero perdê-lo. Se viajar para festas no interior, vá em grupo, em carro alugado, com motorista?. É preciso reconhecer que as mães trazem a sabedoria da vida e seguem o que lhes dita a alma e o coração. Estatísticas da Polícia Rodoviária mostram que nas estradas federais ? de janeiro a maio deste ano ? mais de quatro mil motoristas foram flagrados bêbados, pondo em risco suas vidas e a dos outros. Os mais velhos afirmam, com sabedoria, que o Brasil é campeão em leis escritas, mas o é, também, no descumprimento delas. Dr. Reims, longevo, repete: ?Se reuníssemos todas as leis num livro, um superlivro, talvez este fosse maior do que a cidade de Maceió?. Pensando no assunto, lembrei-me de um dos grandes historiadores do Brasil, do século XIX, o sisudo Capistrano de Abreu que dizia: ?O Brasil apenas precisa de uma lei, é que se cumpram as leis?. (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.