Opinião
Poder esgar�ado - Editorial
Mais uma vez, deputados estaduais de Alagoas são projetados para as manchetes por acusações de enorme gravidade. Mais uma vez, é-se necessário dissociar os interesses políticos dos encaminhamentos policiais para que os resultados sejam os que a sociedade almeja. Novamente os holofotes concentram-se sobre a Assembléia Legislativa de Alagoas, onde têm se misturado, com preocupante recorrência, questões políticas e policiais. Como reagirá a Casa Tavares Bastos frente a mais este sério problema envolvendo seus integrantes? Combater a impunidade em todo tipo de crime, especialmente nos de sangue, é um anseio cada vez mais gritante na sociedade alagoana. Neste campo, o erro que não pode ser cometido é a precipitação redundando em julgamentos prévios; a Justiça tem de seguir seus trâmites, aos acusados não pode ser negado o direito de defesa e o viés político-ideológico não pode interferir nesse trabalho. Igualmente a esse trabalho múltiplo (da polícia e da Justiça), cobra-se celeridade, além da indispensável isenção. Na berlinda, a Assembléia Legislativa de Alagoas está sendo chamada a se desvencilhar do espírito de porco que tem se manifestado recorrentemente em seu plenário. A sociedade espera posicionamentos do Poder Legislativo que não venham a denegrir ainda mais a imagem daquele poder junto à opinião pública. Com a maioria de seus membros envolvida, de uma forma ou de outra, em investigações dos mais variados delitos, a Casa Tavares Bastos segue afundando numa espiral de descrédito e parece não perceber que precisa interromper a própria queda moral e recuperar algo de seu prestígio junto à população. Na soma dos fatores, acrescidos os fatos de ontem, torna-se mais grave o desgaste do Poder Legislativo estadual. E, infelizmente, nada indica que o parlamento venha reagir à altura à crise.