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Opinião

Jo�o Mac�rio de Omena Filho

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| ANA DAYSE REZENDE DÓREA * Ele se foi. Sem fazer alarde. Sem dizer adeus. A discrição, a lealdade, a humildade e o bom humor extremado ? um verdadeiro contador de piadas ? eram algumas de suas inúmeras marcas. Onde estiver, deve estar fazendo rir. Partiu de forma repentina, precoce. Fez ?graça? com o sumiço inesperado. Deixou tristeza com o desaparecimento súbito. Em 57 anos, dedicação intensa à família, aos amigos, aos seus companheiros de trabalho, a Alagoas e a Maceió. Afeição à sociedade e, sobretudo por meio do exercício de uma medicina com comprometimento, fraternidade e amor à vida, abnegação em prol de cada paciente seu ou de nosso sistema público de saúde. Ele partiu. De forma inesperada. Para mim, surpreendentemente infeliz. Em toda a Ufal, restou muito mais que uma lacuna. Ficou o sentimento de orfandade no coração de cada amigo, técnico ou docente, de cada um entre os inúmeros parceiros que ele cultivou, em essencial por meio da generosidade com a qual construiu sua inestimável contribuição à nossa instituição de ensino superior. Sem contar em cada aluno que tomou suas lições e em cada usuário de nosso Hospital Universitário que, muitas vezes, em suas palavras encontravam o conforto e o estímulo necessários ao devir. João Macário de Omena Filho, brilho de luz intenso que nos honrou compartilhando parte de sua imensa energia: seu exemplo jamais se apagará. Ele nos deixou. Cheio de planos. Pleno em alegrias profissionais e familiares. Amadurecido e com disposição imensurável em trabalhar, agora na Pró-Reitoria de Extensão, cargo que assumira há poucos meses. Ciente de nossas limitações institucionais, era honesto. Queria fazer o impossível, como fez em suas gestões anteriores no HU, a fim de viabilizar o possível: uma universidade mais socialmente comprometida e mais refletida na comunidade. Ele seguiu. Não teve tempo. Traiçoeiro e impreterível amanhã. Mas os seus breves dias foram suficientes para deixar um legado grandioso. Sua passagem pela Ufal, de lamentável interrupção abrupta, é fonte de inspiração. Adotando-a como referencial, o servidor se torna mais dedicado; o professor, mais aplicado e amoroso; o cientista, mais articulado; o estudante, mais aguerrido; e o gestor, mais atuante. Hoje, mais de um mês após sua passagem, esforcemos-nos para durante o sempre honrar esta herança, capaz de nos fazer, simplesmente, mais humanos. (*) É reitora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

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