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Opinião

Ano Paulino: disc�pulos e mission�rios como resposta

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| DOM ANTONIO MUNIZ * Adentramo-nos no terceiro milênio da ?era cristã?, mergulhados em situações que, a cada dia nos deixam perplexos. Deparamo-nos com um mundo dividido e marcado por feridas cada vez mais profundas: pobreza, fome, ódio, violência, terrorismo, corrupção endêmica e cinismo, relativismo e permissividade em vários setores da vida pública e privada. São realidades que parecem roubar ou ofuscar aqueles sentimentos mais profundos e dignos de nossa condição humana e que levam o ser humano à experiência do vazio e da superficialidade. Com isto eu estaria traduzindo realisticamente o sentimento do nosso povo? Não era este o estado da cidade portuária de Corinto no tempo do Apóstolo Paulo? Sentimos um movimento de entropia: o mundo que parece voltar-se contra si mesmo numa aventura suicida. Não é à toa que muitas vezes nos pegamos desiludidos e amargurados, tolhidos em nossa capacidade de sonhar que um outro mundo é possível para nós. Até mesmo fazemos com que as centelhas de esperança se dissipem na palha das inconsistências do tempo presente. ?Não vos conformeis com este mundo? (Rom. 12,2). Vivemos na cultura da superficialidade, marcada pela rapidez da informação que impede qualquer reflexão mais duradoura, e oferece uma visão fragmentada, descontínua e pontual da realidade, tornando quase impossível a possibilidade de síntese. Todos os dias aparecem novos escândalos e desmandos administrativos, em todas as esferas! Estamos dando respostas insuficientes e pífias. A sociedade de consumo se transformou em uma vitrine de seduções, com oferta contínua de produtos, serviços e experiências, com uma possibilidade imensa de escolhas e o estímulo contínuo de necessidades. Tudo se torna possível, acessível, restando somente ao consumidor o desfrute do produto que é ofertado, até que seja oferecido um novo. Para tudo se oferece cinicamente um ?plano?, uma solução falsa. Nisto podemos também falar nas ofertas falsas de tantas ?igrejas?, ritos e gritos, que ao nada levam! Neste tempo, valorizamos por demais o estético. Este ganhou um valor em tudo, desde as coisas mais simples às mais complexas. Também os modelos de vida estão ligados à estética. A cultura da exterioridade se estabelece de forma quase que absoluta, valoriza-se por demais o que aparece e não o conteúdo daquilo que é apresentado. Esta lógica que privilegia o estético faz do corpo e dos sentidos um ?quase deus? e pouco valor atribui à dimensão mais interior do ser humano. (*) É arcebispo Metropolitano de Maceió.

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