Opinião
A viol�ncia nos dias atuais
| MILTON HÊNIO * Ligamos a televisão e ficamos impressionados com o desfilar de cenas de violências acontecidas pelo mundo. No Oriente, o ódio sem fim entre judeus e palestinos, provoca explosões quase que diárias através de homens e mulheres suicidas, levando ao desespero milhares de seres humanos. Aqui entre nós, tanto no Sul como no nosso Nordeste, é de estarrecer a violência, com incontáveis assassinatos, assaltos, pedófilos e toda sorte de maldade humana. Segundo estudos recentes da Cadeira de Medicina Legal da Universidade de São Paulo, 70% das mortes acontecidas ultimamente naquele Estado são antinaturais: seqüestros, assassinatos, desastres de carros e motos, suicídios, etc. Na década de 50 e 60 a violência existente era privada e não pública, ou seja, existia dentro das famílias, entre os políticos, entre os vizinhos, etc. Hoje não, todos nós somos vítimas. As cidades estão infestadas de drogados, de marginais, de traficantes, de assaltantes, de policiais corruptos, os quais tiram a paz da população. Até na área médica a violência chegou; são inúmeros os médicos que estão deixando de trabalhar nos postos de saúde das periferias das cidades por que se sentem ameaçados. Vivemos num planeta permeado por conflitos. A sociedade atual é adrenalizada, embasada no medo, na violência, na injustiça, em que há a projeção de um deus mesquinho que é o dinheiro como meio provedor de nossas necessidades. Convivência difícil está a do mundo moderno, entre povos e nações. Somente a paz, solidificada por um diálogo que começa na cotidianidade e que atravessa as estruturas políticas, econômicas e sociais, pode talvez solucionar o problema dos homens. A paz existe onde existe reconciliação, justiça, verdade e misericórdia. Enquanto a humanidade vive o esplendor das grandes conquistas materiais, das grandes descobertas na área dos medicamentos, podendo alongar a vida do homem sobre a Terra, uma boa parte das pessoas ainda procura dar as mãos, existindo, entretanto, outra legião de pessoas cheias de ódio, psicopatas, endemoniadas, que procuram levar o desespero, tirando a paz das pessoas. Concluímos que o homem se afasta de si próprio, buscando no materialismo, na ânsia do ganho fácil, do prazer desenfreado, uma possível solução interior. Engana-se, a si próprio, porque tudo que você planta tem o seu retorno. Assistimos entristecidos no mundo atual, o paradoxo de uma civilização angustiada. Só nos resta esperar pela paz. (*) É médico ([email protected])