loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 23/07/2026 | Ano | Nº 6273
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Mais uma trag�dia

Ouvir
Compartilhar

| ELAINE PIMENTEL* O Brasil assistiu a outro episódio trágico desencadeado pela ação desastrosa da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que resultou na morte do menino João Roberto de Amorim Soares, de 3 anos de idade. Em poucas palavras, trata-se de mais um exemplo da prática de atirar primeiro e perguntar depois. Lamentavelmente, é mais uma vida ceifada pelo despreparo dos agentes de segurança pública no nosso País. Infelizmente, João Roberto não é a única vítima nesse cenário caótico em que vivemos. São cada vez mais freqüentes as notícias de mortes resultantes da atuação desastrada de policiais, por todo o Brasil. A morte de João Roberto reacende o debate sobre a situação das polícias brasileiras: treinamento inadequado, sucateamento de viaturas e equipamentos, baixa remuneração. Paralelamente, há o total despreparo emocional dos policiais para lidar com a população, sobretudo com o uso de arma de fogo. Todas essas circunstâncias desembocam em uma polícia que atua sem profissionalismo, tornando-se, então, verdadeira ameaça à população. Não é de se estranhar, portanto, que o povo brasileiro não confie e chegue mesmo a temer a polícia que tem, como demonstram diversas pesquisas no campo das Ciências Sociais. A Polícia Militar do Rio de Janeiro se defende, afirmando tratar-se de uma atuação isolada, que não representa os propósitos e a forma de agir da Polícia Militar carioca. Sim, mas não podemos negar que os gestores públicos e as corporações também têm sua parcela de responsabilidade em eventos como esse, já que não formam policiais capacitados para lidar com situações de risco, nas quais o bom senso e a razoabilidade devem imperar. Enquanto isso não estiver bem claro, tragédias dessa natureza serão tratadas como fatos isolados, para os quais são dadas respostas paliativas, incapazes de atingir a raiz do problema. Os desabafos desesperados do pai de João Roberto refletem o que pensa o povo brasileiro a esse respeito, e é com eles que encerro esta breve reflexão: ?O Estado não tem carta-branca para matar as pessoas! Que polícia é esta que temos? Será que pagamos nossos impostos para ver a polícia matando cidadãos? Que País é este??. (*) É professora da Ufal.

Relacionadas