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Opinião

A alma alagoana � charmosa e rent�vel

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| JOALDO CAVALCANTE * O meu roteiro incluiu a passagem pelo Boticelli, pelo Piazza Navona e seguiu para o Palazzo Ducale, bem como pelo Plaza Athenne, pelo Saint Exupéry e, por fim, pelo Champs Elysées, não sem antes contemplar o Palais Royal. Peguei então o caminho de Turim e Seychelles, sem ignorar o Ocean Ville e o Chateau Du Rhone. É bom esclarecer: não estou relatando nenhum périplo pela Europa ou saboreando um caminhar pela avenida mais famosa de Paris, a Champs Elysées. Entre tantos, cito apenas alguns nomes de edifícios comerciais e residenciais localizados em Maceió. Há ruas em que o passante desavisado pode confundir com lugarejos do velho continente, tal a quantidade de edificações carimbadas com termos estranhos à história local. Há ainda o nefasto hábito de trocar, sob critérios questionáveis, as designações de logradouros. Poderia citar casos mais festejados, mas mencionarei apenas o que ocorre na antiga rua Natal, no bairro do Pinheiro. O nome já foi substituído em duas oportunidades, mas as pessoas resistem e preferem a denominação original, que continua sendo respeitada pelos Correios. Com relação às identificações estrangeiras dos edifícios, alguém poderia interpretar esta crítica como um mero surto xenofóbico. Definitivamente, não! Em tempo de globalização, de rompimento de fronteiras pelo fluxo intenso do conhecimento, nós precisamos estar em algum lugar, preservando a identidade, os valores e as referências históricas, até para sermos reconhecidos e respeitados como povo. Já o promissor mercado imobiliário local poderia até entender esta reflexão como uma intromissão indevida na iniciativa privada. À medida que os nomes ? em regra, decididos pelo critério do marketing, que vê charme nas nominações estrangeiras ? são expostos à coletividade, aquela informação condominial interfere na vida comunitária. Daí o interesse público. Vale dizer que as cidades se integram pela conservação de suas diferenças. O turista é atraído pela nossa ambiência e pelo acervo histórico diferenciado. O contrário também ocorre. Como o ano é eleitoral e a cidade viverá intenso debate acerca do papel do poder local na vida do cidadão, é oportuno olhar esse tema. Defendo a presença da história alagoana e de seus vultos na identificação de nossas construções. Se o problema reside na falta de legislação, então que se proporcione um debate democrático com todos os setores. Quem sabe os empreendedores descubram que a alma alagoana, além de ser ?charmosa?, é também rentável. (*) É jornalista.

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