Opinião
Qualidade das rodovias
| EDINALDO AFONSO DE MÉLO * Li o editorial do jornal Gazeta de Alagoas, intitulado ?Delicadas rodovias?, publicado no dia 15 de julho de 2008 (terça-feira), página A4. Resolvi, então, emitir minha opinião sobre o tema exposto, tendo em vista que, há 28 anos, leciono o assunto na Universidade Federal de Alagoas e faço consultoria sobre o tema. Essa é uma maneira que encontro para dar uma contribuição e devolver à sociedade aquilo que foi investido em mim ao longo de minha formação profissional em engenharia civil. Realmente, o péssimo estado de conservação das rodovias brasileiras e, sobretudo, das estradas que cortam o Estado de Alagoas, deixa os engenheiros rodoviários e a população perplexos. Como pode uma pavimentação asfáltica, que poderia durar de 20 a 25 anos, apresentar tantos defeitos num prazo tão curto? Estradas são construídas ou restauradas e, muitas vezes, antes do primeiro ano, já apresentam inúmeras crateras. Onde está o erro? O problema inicial que precisa ser compreendido é a falta de decisão política sobre o caso. O Brasil precisa voltar a ter um Fundo Rodoviário Nacional, coisa que não ocorre desde 1986. A Cide ? Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico, é um imposto criado sobre os combustíveis no fim do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, com o objetivo de carimbar recursos para aplicar nas rodovias. Apenas uma parcela muito pequena do que é arrecadado na Cide ? aproximadamente 10%, é gasto com restauração de rodovias. Portanto, recursos financeiros existem, o que falta mesmo é o uso correto do dinheiro, sendo aplicado naquilo para o qual fôra criado. Além disso, a falta de continuidade de investimentos nas rodovias reduz o tempo de vida dos pavimentos construídos ou restaurados. Uma rodovia pavimentada, quando é entregue ao tráfego, deve receber manutenção preventiva e corretiva nos prazos devidos. Mas, para tal, é preciso que haja recurso financeiro permanente. O paradoxo é que o dinheiro existe, pois a Cide arrecada o suficiente para recuperar a malha pavimentada. Porém, o que falta é decisão política. Infelizmente, os governantes não conseguem entender que a melhor maneira de economizar recursos públicos e reduzir o custo dos produtos que adquirimos é manter as rodovias sempre em bom estado de conservação. Isto é um paradigma que precisa ser entendido e praticado pelos governantes. Uma coisa precisa ser clara: o Brasil possui tecnologia para fazer estradas asfaltadas que durem longo tempo ? 20 a 25 anos. (*) É engenheiro civil.