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Chaga nacional

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Seria o crime organizado um problema localizado em algumas regiões do País? Estaria restrito o poder dessas organizações aos morros do Rio de Janeiro, às avenidas de São Paulo ou mesmo ao Estado do Espírito Santo? Não. O crime organizado é uma marca nacional nesses tempos. Existia antes, mas nos últimos oito anos teve um desenvolvimento real e insuportável. Até alguns anos atrás, essa chaga estava praticamente restrita aos grandes centros do País. O general Figueiredo, finado ex-presidente da República, foi um dos expoentes da política que chamou atenção para o potencial de poder paralelo que emanava dos morros cariocas. Mas a visão expressa pelo general, àquela época (anos 80), apontavam para a hipótese do ?morro resolver descer à cidade?. Era uma ótica insurreicional, inspirada pelo receio das revoltas populares que ainda eram reverenciadas com temor nos nichos da direita e com louvor nos ícones da esquerda. Nesse início do século XXI, a realidade choca do mesmo modo os conservadores e revolucionários. As imagens dos bicheiros como símbolo do poder marginal passaram a integrar os arquivos da história e a sombra de um poder muito mais danoso espalhou-se sobre e contra a sociedade. Seqüestros, assaltos ousados, tráfico de drogas, armamento pesado e a multiplicação da violência passaram a ser a marca desse novo tempo. A onda de assaltos nas rodovias alagoanas é parte desse processo de esgarçamento do tecido social brasileiro. Ontem, aconteceu mais uma ação criminosa (e organizada) nas estradas alagoanas. A persistência desses marginais nesse tipo de crime representa algo mais que ousadia de um ou outro grupo. Como em tantos outros ramos do crime organizado, os assaltantes das rodovias alagoanas deixam, a cada ato criminoso, uma mensagem de reafirmação de seu poder. Afrontam, deliberadamente, o poder do Estado. É hora de se dar um basta. A cidadania não pode tolerar mais que essa tragédia nacional seja tocada como politicagem, como no caso que motivou a renúncia do oitavo ministro da Justiça do governo FHC.

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