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De tumbas e hist�ria - Editorial

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Surpresa não deveria ser o sentimento dos restauradores ao toparem com catacumbas nas antigas igrejas de Alagoas. Os vândalos e caçadores de botijas disso já sabiam há anos e, exatamente os túmulos protegidos pelos templos (em função do cuidado de seus freqüentadores), foram os que, dos antigos, quedaram-se preservados até hoje. A partir de hoje, seria ótimo que os pesquisadores lhes dedicassem mais atenções, afinal, desde os tempos ancestrais, os túmulos são reconhecidos como fontes vivas da história. Em Marechal Deodoro, na própria Igreja de Santa Maria Madalena, há muito mais coisa a ser escavada. Os menos novos lembram-se muito bem da escadaria subterrânea localizada sob o altar do lado esquerdo do transepto. Previdentemente fechada por aterramento, esse acesso ao subterrâneo espera por sua reabertura responsável e tecnicamente correta para poder repassar à posteridade suas mensagens (econômicas, sociais e religiosas) sobre a vida nos séculos passados. Apesar da danosa atuação dos caçadores de botijas, que não se detiveram nem diante dos antigos cemitérios, muito ainda deve ter restado sob o solo, além de ossos. É bem provável que objetos dos mais variados tipos possam ter sobrevivido onde os humanos pereceram. Esses objetos, para os pesquisadores, são fonte de estudos da vida vivida em épocas passadas. E os famosos ossários, subterrâneos em sua maioria, servem como fontes permanentes de atração turística nas cidades mais antigas e desenvolvidas da Europa, como as históricas catacumbas romanas onde ganhou vida e força o cristianismo. Enfim, tudo vale a pena quando a história não é pequena. E o patrimônio histórico alagoano é gigantesco (apesar de malbaratado). Nada, nem antigos sepulcros podem ser ignorados nesta restauração dos valores culturais.

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