Opinião
Incompat�vel com a realidade
| ÁLVARO MENEZES * Muito se tem falado, nos últimos anos, sobre a Casal (Companhia de Saneamento de Alagoas), infelizmente, de forma negativa. Seu nome também é pronunciado com facilidade por vários interlocutores que sempre têm uma solução para os problemas dela. Com certa justiça se pode afirmar que a empresa não consegue atender com eficiência sua clientela e não conseguia se impor como uma empresa, parecendo uma autarquia estadual antiquada e sem rumo. Alguns males da Casal podem ser imputados aos governos federal ? pela inconstância com que libera recursos para investimentos ? e estadual ? pela falta de compromisso com que tratou a companhia até 2007. Lamentavelmente, o quadro vivenciado não é muito diferente da média nacional para os serviços de saneamento. Embora o Brasil já tenha desde janeiro de 2007 uma lei para o setor, nos Estados, em linhas gerais, ainda há muito a fazer para se ter segurança quanto à confiabilidade, à regularidade e à sustentabilidade dos serviços prestados pelas companhias de saneamento e, pior ainda, pelos serviços municipais. A ineficiência da Casal, em algumas regiões do Estado ou em sistemas específicos de seu processo empresarial, não pode ser tratada como definitiva ou passível de solução apenas se o governo do Estado pagar pelos custos operacionais ou cobrir o déficit do subsídio cruzado. É necessário, primeiro, saber o real tamanho do déficit, enfrentando com firmeza e coragem suas causas, para trabalhar com um modelo de gestão que, com certeza, permitirá o alcance de resultados semelhantes aos já obtidos em outros Estados. O governo do Estado vem atuando de forma objetiva para que a Casal seja uma empresa fornecedora de serviços, de modo que possa atender bem a seus clientes, sem exceção, e apresente resultados empresariais que possam garantir sua sustentabilidade e crescimento. O fortalecimento dessa mudança passa, sem dúvidas, pela definição rápida e clara de políticas públicas realistas e exeqüíveis; por investimentos baseados em planejamento de longo prazo, e não em emendas particulares (parlamentares), com bons projetos e obras bem executadas e concluídas para o alcance do interesse da sociedade; por uma gestão pública eficiente e associada a parcerias que resultem na prestação de um serviço devidamente regulado. É incompatível com a realidade imaginar que os serviços de saneamento, estatais ou municipais, poderão atender bem a todos, universalizando o bem-estar, sem mudanças em sua gestão. (*) É diretor Comercial da Casal.