Opinião
Viol�ncia na escola
| JOSÉ MEDEIROS * Um fenômeno psicossocial chamado pelos especialistas de ?bullying? (palavra inglesa cujo principal significado é intimidação/humilhação) cresce vertiginosamente e tem como principal cenário o ambiente escolar. Novidade? Nem tanto. Seu estudo científico pode até ser recente, mas sua existência é mais do que conhecida nas escolas e na sociedade como um todo. Hipócrates era um bom aluno, com regular desempenho escolar e relacionamento satisfatório com colegas e professores. Pessoalmente, duas coisas o perturbavam: não gostava do nome que lhe impuseram; e, como se isso não bastasse, não conseguira uma boa compleição física, era magro e pálido, apesar da academia que freqüentava e dos médicos consultados. Dito o quê, acrescentou-se um fato agravante para sua tímida natureza: o dia-a-dia escolar se transformara num tormento, colegas o agrediam com apelidos, chacotas, ofensas verbais e ameaças físicas. O recreio, que antes era um motivo de prazer, virou um ?purgatório? de ansiedade, medo e estresse. Desinteressou-se pelos estudos, não mais queria ir à escola. Sumiram a alegria e otimismo que sempre foram suas características. Sua mãe observava seu isolamento. Ela insistiu em diálogo e boas conversas, para saber os motivos que estavam determinando essa mudança de comportamento. Seu filho, cada vez mais indiferente, demonstrava sintomas de depressão. Resolveu levá-lo ao psicólogo. Um mês após as consultas, o diagnóstico: tratava-se da síndrome de ?bullying? (bullying escolar). O que é isso, perguntou a mãe? O especialista resumiu suas conclusões: seu filho está sendo vítima de agressões de colegas da escola, que infernizam a vida dele. Isso está provocando danos físicos e psíquicos, traumas que estão provocando mudanças de comportamento. Dona Adélia, foi à escola saber o que estava acontecendo; conversou com professores, coordenadores e funcionários. Exigiu providências. Investigações foram feitas para descobrir os agressores. Foram descobertos os responsáveis. Eram adolescentes de classe média que, segundo informações, tinham sofrido maus-tratos por parte dos pais. A escola reuniu pais, mestres e alunos; queria evitar novos incidentes. Um psicólogo convidado explicou que pesquisas recentes demonstram que 5 a 15% de alunos entre 12 e 17 anos estão envolvidos nesse fenômeno patológico. Concluiu afirmando: ?Um dos papéis da família e da escola é o de contribuir para uma educação que valorize a solidariedade e a luta pela paz?. (*) É médico e ex-secretário de Educação.