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Os Taviani em Pequim

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| JORGE BRISENO * Não sei se o amigo leitor, cinéfilo que é, já teve a oportunidade de assistir a algum filme dos irmãos italianos Taviani. Verdadeiras obras-primas! Um dos mais enaltecidos dramas dos irmãos Taviani (A noite de São Lourenço) foi filmado na Toscana, região belíssima da Itália. Aliás, a Toscana sempre foi um tema recorrente nas obras dos Taviani. ?A noite de São Lourenço? é uma comovente história sobre um evento da Segunda Guerra que se passa em um vilarejo da região. Os irmãos Taviani, nesta película, nos fazem rir e chorar, emoções que eu e você, amigo leitor, amantes da telona que somos, esperamos de um grande filme. Existe, neste drama, uma cena antológica: um jovem combatente tem o seu peito trespassado por várias lanças, as quais, ao atravessá-lo, fincam-se no chão às suas costas. O combatente, mortalmente ferido, fica sustentado pelos dardos, estático como um monumento, ajoelhado, com a cabeça erguida e os braços abertos, estendidos para trás. Ele permanece ? e aí reside a beleza da cena ? como se estivesse orando de uma forma esquisita, com a fronte levantada para o céu. Observe você, atento leitor: estamos prestes a ver a idealização dessa famosa cena, carregada de uma beleza trágica, de uma dimensão épica... Adivinhe onde? Isto mesmo! Em Pequim, durante os jogos olímpicos. Calma, já, já, explico. O fato é o seguinte: a poluição atmosférica, em Pequim, sede da Olimpíada, atingiu um nível tão elevado que a visibilidade é reduzida a zero. Tudo decorrente das emissões dos gases de efeito estufa lançados em doses cavalares, devido à queima dos combustíveis fósseis que são empregados na geração de energia e movimentação da frota de veículos da capital chinesa. Agora, faça um esforço, imaginativo leitor, e analise a seguinte possibilidade: no estádio principal da cidade de Pequim, um atleta ? salubérrimo como um touro ?, obcecado em lograr a medalha de ouro da sua modalidade, arremessa seu dardo que, varando a densa neblina de poluição, torna-se invisível aos olhos dos pobres juízes que, como sabemos, ficam posicionados no gramado, para aferir a execução da prova. Se não se acautelam, é possível que um deles seja atingido por uma dessas lanças e fique espetado no solo do estádio, com os olhos esbugalhados de estupor, perscrutando o céu. Os irmãos Taviani, se vissem essa cena, se poriam de pé e gritariam a plenos pulmões: ?É plágio! É plágio!?. (*) É engenheiro e diretor da Casal.

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