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�tica, pra que vos quero?

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| AGATÂNGELO VASCONCELOS * Informa a imprensa local: a Assembléia Legislativa do Estado de Alagoas seria a única, em todo o território brasileiro, a não ter constituída a sua Comissão de Ética Parlamentar! Ocorreria tal fato por mero acaso, ou existiria um condicionamento cultural para tão deplorável exceção? Será que tal anomalia é desprezível perante outras circunstâncias mais graves, ao menos na aparência? De modo lamentável, contudo, estes agrupamentos ?inter paris?, sempre corporativos, servem apenas ?pour épater le bourgois? (?para surpreender o burguês?), ou seja, para salvar as aparências pelo engodo. Porém, a sua inexistência pura e simples como ocorre entre nós, é uma circunstância que não pode ser ignorada pela sociedade, por demasiado representativa dos usos e costumes da Casa de Tavares Bastos nos tempos atuais. A quem, pois, no universo político-administrativo hodierno interessaria o ditame ético? A muitos, certamente, mas não a todos. E quantos órgãos colegiados, especialmente os de índole político-partidária, priorizariam a criação de Comissões de Ética em suas entranhas? A bem poucos, acreditamos. E não nos referimos tão somente aos parlamentos, pois diversas outras instituições republicanas também entram neste desprimoroso rol. É que caminhos dignificantes e irrepreensíveis na vida pública, a muitos indivíduos parecem-lhes estorvos, eis porque Comissões de Ética nem sempre são bem-vindas: poderiam criar algumas dificuldades ao clientelismo, ao nepotismo, ao compadrio e a tantos outros males desta mesma vasta classe. Observemos a formação do quadro de Conselheiros dos Tribunais de Contas. A escolha de um novo conselheiro pela legislação vigente passa necessariamente pela unção das Assembléias Legislativas, daí o extraordinário número dos que eram deputados ou ?afilhados? de algum político importante junto ao Poder Parlamentar. Não importa ter (ou não ter) reputação ilibada, apresentar (ou não apresentar) currículo compatível com o elevado cargo pretendido: apenas é importante uma situação política que propicie a benção do Legislativo. Mas isso não é conferir demasiado poderio a uma instituição, como a nossa, que se quer deseja formar uma regimental comissão para apurar possíveis desvios morais dos seus membros? Por outro lado, um parlamento incapaz (por absoluta falta de vontade) de conviver com uma Comissão de Ética, não age assim por acaso, nem o faria sem a complacência dos demais poderes constituídos. (*) É médico e professor da Uncisal.

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