Opinião
Agora � a nossa vez
| PADRE HENRIQUE SOARES * A sociedade alagoana continua acompanhando com interesse e esperança o desenvolvimento da atuação da Polícia Federal nas operações que têm levado a cabo entre nós. Qualquer país, Estado ou município que se queira democrático, sadio e comprometido com o futuro deve exigir dos seus dirigentes valores como a probidade administrativa, o exemplo de uma vida norteada por princípios morais, o compromisso com os menos favorecidos e a construção de uma convivência solidária e pacífica. Espera-se que os governantes sejam uma referência ética no âmbito público como naquele outro, privado. Na nossa sofrida Alagoas há muito que se espera uma purgação da classe dirigente. Violência, corrupção, truculência, prepotência, cinismo e solene desprezo e falta de compromisso ante os mínimos anseios dos alagoanos ? são atitudes que têm norteado a grande maioria dos nossos líderes, aqueles que deveriam garantir e nortear a nossa democracia. Agora, com as operações da Polícia Federal, a sociedade sente-se esperançosa, percebendo que alguma coisa se move, e move-se para melhor! Mas, há um aspecto em toda esta história que é preciso ser sublinhado: numa sociedade democrática quem elege os governantes é o povo. A ocasião atual deve levar toda a sociedade alagoana a um exame de consciência, a uma autocrítica; afinal, quem elege e reelege seus governantes somos nós mesmos. Aqueles que agora aparecem como culpados foram colocados nos altos cargos governativos pelo povo! A democracia tem isso: o povo elege seus benfeitores ou seus feitores, seus tiranos, seus algozes! Certamente, que muitos pensarão logo: o povo simples é enganado, os analfabetos são comprados. Cuidado com os argumentos fáceis! Hoje, com os meios de comunicação tão variados, não se deveriam inocentar aqueles que vendem seu voto e sua consciência. Também nas classes média e alta há compra e venda de votos. Muda somente o preço: uma cesta básica para o pobre, um emprego para as classes mais altas... É preciso admitir que há sim culpa e má-fé na sociedade, culpa de muitos que vendem seu voto, colocando um benefício pessoal, ilícito e imoral acima do bem público. Aproximam-se as eleições municipais. Depois de tudo que estamos vivenciando, com quais critérios os alagoanos irão votar? Aqui está, realmente, a questão que importa se quisermos para Alagoas um futuro diferente do presente que estamos vivenciando entre incrédulos, esperançosos e envergonhados. (*) É sacerdote e professor de Teologia.