Opinião
Interatividade na propaganda
| ROBERTO JÚNIOR * Vimos há pouco tempo a chegada do sinal digital para televisão e as diversas possibilidades de transmissão, inclusive para celulares. Diante disso, um questionamento me foi posto em cogitação: como trabalhariam as agências de publicidade para a criação de conteúdos interativos, tendo em vista que as campanhas locais, em sua maioria, são passivas e lineares? Intrigado pela clareza entre interação, interatividade e propaganda, preferi iniciar o estudo pela base de todo o processo: a comunicação. Para que a interatividade na propaganda seja visualizada de forma clara é preciso entender que as duas sempre andaram juntas, a propaganda sempre foi interativa. Ora, uma campanha nasce, senão, de um diálogo entre agência e público-alvo, logo o diálogo é um processo de interação. Assim, os avanços tecnológicos e o comportamento do consumidor diante das mensagens publicitárias são observados pelas agências, em que estas não mais assumem um papel passivo perante o conteúdo das peças de uma campanha, mas buscam interagir com o anúncio. O resultado dessa movimentação é a reestruturação das agências de publicidade. Para visualizar esta dinâmica, tive a oportunidade de conversar com algumas agências paulistas. Meu primeiro contato foi com a AlmapBBDO, que escolheu um diretor de criação direcionado à internet, não para construção de sites, mas um profissional ciente das capacidades e potencialidades das mídias on-line; depois fui à DeBrito Propaganda, que diminuiu os custos com internet por meio da inclusão do setor de web em sua estrutura; e em seguida à LEW?LARA que concebeu a idéia da criação de uma agência de soluções para internet a partir do seu setor de Web. Em Maceió, com a agência local Chama publicidade, que como solução possui uma parceria para execução de estratégias para interação como CRM e Marketing Direto, por exemplo. É importante destacar que uma campanha interativa não pode ser limitada apenas aos meios on-line. A grande questão do redirecionamento do significado do termo é que os anúncios em mídia impressa, por exemplo, não possibilitam um contato direto com o cliente-anunciante, eles apresentam conteúdo e resultados das possíveis ações que serão desenvolvidas pelo usuário, aparentemente definidos e limitados no anúncio. De fato estamos vivendo uma transformação na forma de se fazer propaganda. Cabe às agências desenvolver seu próprio upgrade para estar em sintonia com o posicionamento do espaço atual, seja reestruturando seus setores ou trabalhando em parceria com outras empresas. (*) É publicitário.