Opinião
Lista suja, voto limpo - Editorial
Mesmo sem ter a unanimidade dos pensadores e juristas, a divulgação das candidaturas ?fichas sujas? tem prestado um grande serviço à conscientização política. Erros existem, alguns perfeitamente evitáveis, como a divulgação errônea de homônimos, enlameando provisóriamente nomes até então limpos. Mas, incorreções e equívocos à parte, é muito importante para a cidadania que a ficha de cada candidato seja discutida de forma ampla e transparente. A presença de condenações e processos criminosos no currículo é um dado essencial para o eleitor julgar a destinação de seu voto. Em alguns casos, poderá o cidadão julgar até como irrelevante a ?sujidade? de seu candidato e sufragar-lhe o nome (no caso deste nome conseguir chegar até as urnas no dia da votação). Assim, é essencial o eleitorado de cada cidade, posto ser esta uma eleição municipal, julgar os nomes que se apresentam como desejosos de ocupar postos na edilidade. Como terá caminhado, até hoje, aquela candidatura à Câmara Municipal? A lista dos sujos dá indicação de quem e como trilhou veredas inadequadas. E como terá andado aquela candidatura à prefeitura? Especialmente os nomes que já ocuparam antes semelhante posto, como saiu-se nas experiências anteriores? Algumas pessoas presentes nas listas sujas poderão alegar que (ainda) não foram condenadas em última instância, que num nível acima irão sair-se bem do mal que as provas e os inquéritos indicam em gestões passadas (em alguns casos, bem recentes), etc. A essas figuras públicas, desejosas de manterem privadas suas sujeiras com o erário, o eleitor e a eleitora conscientes deverão lhes interpor a lista das almas sujas, os pecados éticos indesculpáveis cometidos contra os mandamentos da gestão pública. E, com base na isenta análise dos dados disponíveis, que seja negado o olvido a essas imundícies comprovadas.