Opinião
Khatmandu, a j�ia do Himalaia
| LYSETTE LYRA * Situado no único vale plano entre as montanhas da Cordilheira do Himalaia, estende-se Khatmandu, capital do Nepal. Fica ao Norte da Índia de cujo governo é um protetorado. Na Cordilheira do Himalaia está o ponto mais alto da terra, o monte Everest com 8.882 metros, entre outros picos de 8.000 metros. Este é o maciço montanhoso mais alto e mais extenso do globo. Seus cimos de ascensão quase impossível, devido sobretudo à rarefação da atmosfera, têm desafiado corajosos alpinistas, muitos do quais aí perderam a vida. Mais ou menos aos 4.300 metros fica o Tibete, o país dos Lamas, hoje pertencente à China. O progresso da aviação tem possibilitado às observações cientificas e turísticas e assim essa montanha já não é tão misteriosa. Existem excursões saindo do Nepal, em avião, para observá-la bem de perto. Depois de cinco horas de vôo chegamos ao pequeno aeroporto do Nepal. Do alto tivemos a oportunidade de apreciar os belos picos do Himalaia, cobertos de neves, refulgindo ao sol. Do solo se torna impossível por causa do excesso de evaporação. Eles estão sempre nublados. Nosso primeiro contato com Khatmandu foi decepcionante. Cidade pobre, malcuidada, casas arruinadas, ruas descuidadas e sujas, e a energia totalmente deficitária. Tem que ter geradores para funcionar, satisfatoriamente, o comércio e os hotéis que são, num contraste absoluto, de alto luxo. Ficamos no Crown Plaza. Enorme, cercado de belos jardins, com diversos salões, restaurantes para distintos paladares e dois andares destinados às lojas, ao spa e aos cabeleireiros. Saímos para uma visita à cidade de Khatmandu. Hoje é a capital do Nepal, mas, antes, foram Bhatgaom e Patan. Aí se instala o governo, o palácio do soberano, grandes capelas e templos. O rei é chamado Marajá Dhiraj, mas quem realmente governa é o ministro, também chamado marajá. São duas as raças dominantes: os gurcas e os nevaris. Os primeiro são guerreiros e muitos deles fazem parte dos exércitos hindus. Os segundos são artesãos e conhecidos por seus trabalhos em ouro, prata, ferro e latão. Distinguimos esse povo pelos turbantes e pela maneira de tratar as barbas que usam. No Nepal são professadas com igual popularidade e nos mesmos templos as duas religiões: o budismo e o hinduismo. Dezenove milhões de pessoas habitam esse país estranho, encavado no meio de tão altas montanhas. Uma salada de culturas e costumes se mistura nesse pequena nação. Desde a Hindu-ariana,a Tibete-Burmese e a Mongoliana. Muitas lendas mitológicas, envolvendo Krishna, uma de suas personagens mais importantes, são contadas sobre a criação do Nepal. No 7º século a.C. a dinastia do rei Kirati invadiu o país. (*) É escritora.