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Velho mundo novo - Editorial

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Para o grande público mundial, a badalada rodada de negociações de Doha pouco se faz entender e, aqui e alhures. Apenas os estudiosos das relações comerciais internacionais prestaram atenção na notícia da falência da dita cuja. Patrocinada pela Organização Mundial do Comércio, a rodada de Doha girou sobre si própria, tal qual um pião, ao longo de sete anos. Há pouco, derrapou, rodopiou e foi ao chão. Findou-se de vez, segundo a maioria dos especialistas no tema. O que isso significa? Significa que o mundo, no atual nível de contradições globalizadas, não comporta mais soluções simplistas, nem o poder militar tem o condão de equacionar, pela magia da força, as complexas relações econômicas que multiplicam-se à revelia das maiores e mais tradicionais potências econômicas. Num resumo superficial, o desencontro que matou Doha estaria localizado no enfrentamento da Índia e da China contra as diretrizes dos Estados Unidos. Indo mais além num resumo ainda rápido, a implosão de Doha significa a derrocada do chamado Quadrilátero, formado pelo Canadá, Estados Unidos, Japão e União Européia ? grupo que até então monopolizava o poder e ditava as regras do comércio internacional globalizado, de forma inconteste, pelo menos até 1994. No atual cenário comercial, os emergentes, ascendendo desde o terceiro mundo, forçam os portões do primeiro mundo e desafiam o bloco hegemonista. Índia e China formam a dupla dinâmica mais visível, mas a escola de samba é muito maior, com mais alas ? e o Brasil não está fora desta agremiação que evolui na avenida. Não é fácil, nem indispensável, entender a complexidade das negociações de Doha; mas é fácil e indispensável compreender que o dito mundo globalizado, onde brilha uma única superpotência (Estados Unidos) fervilha com novos problemas e as velhas fórmulas não mais funcionam...

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