Opinião
Ano Paulino: N�o vos conformeis com este tempo
| DOM MUNIZ, O. CARM * Estes temas de nossa realidade, os quais vêm sendo objetos de nossa reflexão, é um forte ressoar do ensinamento constante do magistério do papa Bento XVI. Tudo que tenho escrito a este respeito esteve bem presente no encontro do papa com os jovens do mundo inteiro na Austrália, na Jornada Mundial da Juventude. Tudo parece querer desembocar numa permissividade sem limites. Esta atitude que proclama que no campo da ética e da moral tudo é permitido. Não se admite a diferenciação entre o que é moralmente bom e moralmente mau. Cada qual faz o que quer e ninguém tem o direito de se intrometer na liberdade absoluta e sem limites do outro. Isto parece uma norma absoluta que todos devem segui-la cegamente! Tudo é questionado e colocado em crise: as regras de comportamento, as relações interpessoais na família e na sociedade, no campo da afetividade e da sexualidade. A permissividade se satura por si mesma. Quando se experimenta tudo, sem nenhum freio ético ou moral, sobrevém a desorientação, o vazio, a experiência de frustração, a perda da dignidade e do sentido da própria vida. Estas realidades e outras tantas atuam de forma agressiva sobre nós e, muitas vezes, roubam nossa capacidade de pensar e discernir com lucidez. O imediato, o mundo de informações e verdades efêmeras com o qual somos bombardeados a cada dia, os modismos, a ditadura da mídia com sua visão light e superficial da vida, etc., põe em perigo o exercício do pensar e do discernimento e a capacidade de descoberta de novas verdades que, de fato, dão consistência à nossa existência. Somos levados pela onda e, comumente, naufragamos antes de chegar à praia e, ainda levamos outros conosco para a mesma aventura suicida. O individualismo é outra marca registrada de nosso tempo. A individualidade elevada como valor absoluto. O acento é posto na vontade individual e na possibilidade de realização pessoal centrada na decisão do indivíduo: ?Não quero depender de ninguém em meus juízos; ninguém tem nada a ver com as minhas decisões?. As decisões, porém, não são motivadas por uma racionalidade moral, mas movidas por impulsos ou interesses pessoais egoístas, muitas vezes fundadas unicamente no desejo de satisfação e de prazer pessoal. A Teologia paulina do corpo vai nos ajudar muito, na busca do sentido e da essencialidade da verdade e do fundamental em nossa história. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.