Opinião
Obras em conta-gotas
| VINÍCIUS MAIA NOBRE * Assistimos ultimamente muitos festivais de congestionamento no trânsito de Maceió. Ora é uma comunidade que por falta d?água nas torneiras de suas casas, como forma de protesto, toca fogo no meio de uma rua movimentada, ora é o famigerado MST que acampa na Praça Sinimbu e tranca a rua para simplesmente bagunçar. Em outras vezes são entidades de classe que paralisam todas ruas que demandam ao Centro para reivindicar melhorias salariais ou mesmo brigar entre si por disputas pelo controle de seus comandos. O pior é que o próprio poder público a título de prorrogações não justificadas, realiza obras que alteram o fluxo do trânsito causando aborrecimentos e congestionamentos ainda maiores. É o que poderíamos chamar de obras em conta-gotas! Pela imprensa lemos e ouvimos desculpas dos responsáveis com deslavada desfaçatez responsabilizando as chuvas pelos atrasos na execução da obra como se o povo esquecesse que os invernos do nosso litoral são normais as precipitações entre os meses de abril a setembro. Faltou cronograma? Claro que sim. Nesta mesma Gazeta, em 6 de outubro do ano passado, afirmamos ?Vejo muito acanhamento nas soluções que se colocam nas obras viárias, demonstrando mais uma vez a falta de planejamento. Exemplo que observo é o da Av. Dom Antônio Brandão (Seminário) que em seu trecho final atende tão somente ao Colégio Marista e ao próprio Seminário Diocesano. Por que não se lança uma obra de transposição do Vale do Reginaldo e atinge-se o bairro do Jacintinho??. Registramos com satisfação que a municipalidade cogita executar uma alça no fim daquela avenida para acesso ao ?Eixo Viário do Reginaldo?. Será que os projetos da prefeitura tramitam pelos órgãos responsáveis para sua aprovação? Parece-nos que muita coisa deixa de ser observada, do contrário o Crea não deixaria de analisar a compatibilização das obras viárias esquecendo gabaritos e que o pedestre é parte integrante das travessias. E os projetos dos outros poderes estaduais têm o mesmo caminho? Não nos parece que o Código de Urbanismo e Edificações (lei municipal 5593/2007) foi obedecido no badalado projeto da ampliação da casa de Tavares Bastos. É outra obra conta-gotas! Tomaram conta de espaços que eram da praça para imitar construções da Idade Média. É lamentável que aqueles responsáveis por legislar contrariem os próprios ditames da lei. (*) É engenheiro e professor da Ufal. ([email protected])