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Em torno do tempo e do espa�o

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| DOM FERNANDO IÓRIO * Podemos asserir que, desde sempre, o homem se interrogou sobre o sentido do tempo e do espaço. Ciente de suas limitações, acorrentado a um espaço confinado, o ser humano levantou, de logo, as questões sobre a duração limitada do tempo e a extensão incomensurável do espaço. Ocupou-se a filosofia grega desse tema que passou, no Ocidente, a ser objeto das especulações filosóficas medievais. Entre as grandes tradições culturais, foi a bíblico-cristã a que atribuiu ao tempo a maior gravidade, a que o assumiu com maior seriedade, superando o ?cronos?. O pensamento helênico se empolgou com a beleza estonteante do cosmos, com a harmoniosa ordenação do espaço. Do tempo, legou-nos a definição aristotélica, entendendo-o como relação de medida de um movimento não limitado em potência. É no tempo que se decide o destino transhistórico de cada ser humano. É a esperança neste destino que atribui um sentido peregrinal ao tempo. Assim, adquire o tempo o caráter de um episódio de importância decisiva porque se abre para aquela plenitude instantânea, na qual não há mais tempo, nem duração seqüencial e infinita de instantes sucessivos. Nos tempos modernos, a teoria de Einstein reformulou, radicalmente, a temática do tempo e do espaço. Não pretendemos, no espaço de um artigo, acompanhar esse imenso processo do pensamento metafísico e físico matemático relativo ao tempo e ao espaço. Desejamos, apenas, lembrar algumas reflexões sobre o sentido do tempo e do espaço para o homem moderno, mergulhado no contexto de uma civilização urbana e industrial. A pergunta seria: como administrar o tempo e o espaço? Como sabemos, o tempo é irrecuperável. Já o espaço permanece: fixo como geometria, ele é sempre variável como vivência. O mesmo espaço varia a cada incidência luminosa: a arquitetura sideral revela uma estabilidade que transcende o tempo; mas, há bilhões de anos nunca se repetiu a mesma aurora ou o mesmo crepúsculo. Cada aurora, cada crepúsculo tem aquela beleza absolutamente original ? a beleza inicial. Infelizmente, o ser humano vem reduzindo o tempo ao cronos ? à cronometragem do movimento. Tudo porque perdeu o sentido do tempo como ?aevum?, como instante interior, como ausência de duração. O tempo mais importante é aquele que se vive, desejando eternizá-lo, como se fora ?uma eternidade sem tempo?. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.

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