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Ler é habilidade que vai além da compreensão .
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Desde muito cedo, incuti no coração a certeza de que saber ler é habilidade que vai além da compreensão, é o poder de ultrapassar páginas e buscar o que cada autor, com palavras e intenções, quis entregar ao mundo.
Trago a certeza de não possuir predileção por tipos de texto a serem lidos, por entender que o essencial não é o gênero, autor ou estilo, mas o ato da leitura, que transcende escolhas e preferências.
Outro dia, folheando rapidamente “Coletânea de Provérbios e Pensamentos”, catalogado na biblioteca da Academia Alagoana de Letras, encantei-me com dizeres atribuídos a William Shakespeare: “Sou feliz, por não almejar nada de ninguém”.
Para mim, aquela frase, apontou para sabedoria profunda sobre a independência emocional e a natureza das expectativas, uma vez que suas palavras proferidas há décadas sugerem que, ao não depender das ações, validações ou gestos alheios para encontrar felicidade, podemos cultivar um senso de bem-estar mais autêntico e duradouro.
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E meditando, mais uma vez, sobre os dizeres do poeta e dramaturgo inglês, entendo ser feliz com as pessoas ao meu redor, por buscar fazer por fazer sem contar com aplausos, e tal gesto certamente me liberta das expectativas em relação aos outros, levando-me a encontrar fonte interna de paz e contentamento, pois algo algo dos semelhantes, pode ser caminho perigoso para a decepção, uma vez sermos todos inevitavelmente falíveis e, por vezes, limitados na nossa capacidade de corresponder aos anseios de alguém.
Longe de possuir o dom de compreender o pensamento alheio, trago a certeza de que à sua época, ao escrever tal entendimento, Shakespeare percebeu que esperar dos outros é como construir em areia movediça, considerando ser a inconstância humana norteada pela imprevisibilidade dos sentimentos, frustrações e desapontamentos.
Sou daqueles que ao abdicar das expectativas, a vida se torna mais leve, permitindo que encontros e relações, sejam apreciados por seu valor genuíno e não aguardando recompensas, muitas vezes em forma de elogios desprovidos de sustentação.