Opinião
Uma �tima li��o - Editorial
Encravado na área de transição entre o Cerrado e a Caatinga, no ermo do Sertão do Piauí, a atenção conferida ao Parque Nacional Serra da Capivara é um dos melhores exemplos de como perseverar, acreditar, lutar e construir uma cultura de respeito ao patrimônio. Como se sabe, o Parque Nacional Serra da Capivara resguarda nas paredes íngremes de sua formação rochosa, inscrições rupestres de grande importância, servindo de base de estudos sobre a vida de comunidades pré-históricas na região. Não foi, nem é, nada fácil manter o Parque Nacional Serra da Capivara. Não caíram do céu os recursos para a manutenção, nem o reconhecimento daquele sítio foi uma benesse política. Tudo o que por lá foi conquistado é resultado de abnegação e firmeza na condução de projetos claros e irrepreensíveis do ponto de vista técnico e científico. E a cada dia cresce o respeito, o reconhecimento internacional pela área. E, além disso, e por conta disso, multiplicam-se as oportunidades de geração de emprego e renda naquele paupérrimo perímetro, inóspito, do interior do Piauí. Um dos casos de sucesso por lá é o programa Cerâmica Artesanal Serra da Capivada, locado no povoado de Barreirinho. O trabalho emprega a população local no labor da confecção de peças (em sua maioria de cerâmica) com design inspirado na arte rupestre do parque. Os produtos têm ganhado o mundo durante os últimos 13 anos. Parabéns para o Parque Nacional Serra da Capivara! Por que nosso Parque Nacional da Serra da Barriga não lhe segue o exemplo? E mais, porque Alagoas não se empenha em salvar o que resta de nosso outrora rico patrimônio rupestre? Incontáveis peças nos foram saqueadas ao longo dos tempos, e, recentemente, parte deste patrimônio foi desviado para o outro lado do Rio São Francisco. Não é hora de nos mirarmos nos bons exemplos como o do Piauí?