Opinião
A revolta dos sujos
| JOSÉ FIRMINO DE OLIVEIRA * O grande número de políticos de todos os escalões envolvidos com organizações criminosas de todas as espécies e graus tem sido a principal pauta jornalística para a imprensa nacional e estrangeira e o principal assunto discutido entre brasileiros e brasileiras honestos e preocupados com o dia de hoje e com o amanhã deste País. Vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, governadores, secretários de Estado, ministros e ocupantes de outros cargos e funções públicas têm sido denunciados, presos e condenados pela opinião pública brasileira, pela prática de corrupção eleitoral generalizada, lavagem de dinheiro, desvio de dinheiro público, abuso do poder econômico e político, pedofilia, furtos e homicídios. Esta é a atual situação de boa parte da classe política do Brasil, neste momento triste da sua história. Em meio a toda essa roubalheira e sem-vergonhice está a Constituição Brasileira, com suas garantias e as legislações Penal e Processual Penal, Civil e Processual Civil, além de penduricalhos jurídicos e apadrinhamentos pessoais que beneficiam esses criminosos e empurram para a impunidade os crimes por eles praticados. Quero acreditar que foi partindo daí e em muito boa hora que a sociedade organizada do Brasil, capitaneada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), tomou a decisão de facilitar o acesso da comunidade nacional, às informações sobre a situação dos candidatos a cargos eletivos nas eleições de outubro vindouro, diante do nosso Poder Judiciário. Em defesa dos candidatos cujos nomes estão sujos e figuram da lista da AMB, surgem os próprios sujos e umas poucas pessoas, algumas dessas investidas da obrigação profissional de defender esses políticos sujos e outras em razão dos seus interesses pessoais no produto da gatunagem praticada por essa gente. A idéia da lista dos sujos é muito boa e ajuda ao processo democrático brasileiro, razão porque deve ser levada à frente, mesmo diante de toda essa polêmica criada em volta da mesma e da desprezível revolta dos sujos. Aliás, acredito que essa polêmica seja positiva, na medida em que expõe mais ainda este assunto, facilitando a formação do juízo de valor do eleitorado que irá às urnas no dia 26 de outubro deste ano de 2008, para escolher o vereador da sua preferência e o prefeito e vice-prefeito do seu município. Concluo, portanto, que a lista dos sujos deve continuar à disposição da sociedade e que o eleitorado faça bom uso dela. (*) É jornalista.