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Auschwitz, o portal do inferno

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| RUBENS VILLAR * Foram marcantes, muitos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial: no corredor polonês e no Porto de Dantzg, hoje Gdansk, fronteira da Alemanha com a Polônia, no Mar Báltico, se deu o início da guerra; em Stalingrado, Rússia, a batalha encarniçada das tropas alemãs pela tomada da rica e estratégica província petrolífera e a dura resistência do exército vermelho liderado por Stalin; o cerco de São Petersburgo, durante dois anos, pelos exércitos do general prussiano Von Paulus; a derrubada da linha Marginot e a chegada das tropas nazistas ao coração de Paris, quando Hitler rasgou e pisoteou o famoso tratado de Versalhes, que sufocava a Alemanha, desde o final da Primeira Guerra Mundial; o atentado contra Hitler, na Toca do Lobo; o Dia D, com a invasão da Normandia pelos exércitos aliados; a tomada de Berlim pelos soldados russos, que cravaram a bandeira comunista no alto do Reichstag, a sede do Bundestag, o parlamento alemão; a queda do Bunker de Hitler; o Tribunal de Nuremberg, onde foram julgados os líderes nazistas ao final da guerra. Mas o acontecimento mais chocante e tenebroso, foi a instalação de Auschwitz, onde foram mortos milhares de prisioneiros de maneira cruel e humilhante. Leitor voraz dos acontecimentos da 2ª Guerra Mundial, sempre tive a curiosidade de conhecer Auschwitz, a 40 km de Cracóvia, antiga capital da Polônia, onde bem pertinho, nascera Karol Josef Woityla. Bispo, arcebispo, o grande Papa João Paulo II. Esta região alternou por muitos anos, o terror nazista, a religiosidade e o comunismo. Ano passado, vindo de Moscou, passando pela Polônia, tive a oportunidade de percorrer as dependências daquele que foi o maior campo de concentração da história. A primeira foto que tirei foi da ?Puerta de la Muerte? ou ?Portal do Inferno?, à entrada principal, com a inscrição ?arbeit mach frei?, (o trabalho liberta). Neste caso, puro cinismo e ironia. Vi, com grande curiosidade, as câmaras de gás, latas vazias de Ciclón B, o veneno mortal, para o extermínio em massa, os fornos crematórios, salas repletas de sapatos, roupas, objetos de uso pessoal e malas com os nomes dos prisioneiros. Auschwitz, foi convertido em símbolo do terror e genocídio: morreram quase dois milhões de poloneses, judeus, eslavos, ciganos, deportados dos países da Europa ocupada e prisioneiros de guerra de várias nacionalidades. (*) É ex-deputado, ex-senador e ex-governador de Roraima.

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