Opinião
De �nibus, m�dicos e cupins
| JOSÉ MAURÍCIO BRÊDA * Tenho muito medo de ser injusto. Mas, diante de tantas injustiças, atrevo-me a pensar que, algumas atitudes tomadas por organizações classistas, são mais que inaceitáveis, são agressivas ao bom convívio dos mortais. Agridem, quando se sabe que um cidadão comum, merecedor apenas de seu vale-transporte, é obrigado a abandonar o único meio de locomoção de que dispõe e a continuar seu trajeto a pé, para satisfazer a reivindicações que nada têm a ver com as suas, que seriam de um melhor atendimento por parte de todos aqueles que lhes prestam o serviço pelo qual pagam. Ainda mais, quando são provocadas por sindicatos que estão submetidos a sanções judiciais por descumprimento de normas e por falcatruas. Não discuto a validade ou não das suas solicitações, mas o modo de fazê-lo. Também agridem quando, como profissionais de nível superior, médicos, que tiveram a ventura de seguir a filosofia de Hipócrates, com o juramento precípuo de curar, cometem a estupidez de não atenderem as, mais uma vez, pessoas carentes que necessitam de seus cuidados. A eles não importa, pois parece-me não sobreviverem do rendimento do Sistema Único de Saúde. Na sua maioria, vivem outra realidade. Se nós outros temos planos de saúde e outros meios de atendimento hospitalar, a população menos favorecida só tem a sua disposição o famigerado SUS. Outra paralisação que me preocupa é a do Poder Legislativo, uma das colunas sustentáculos da democracia. Atentem para isto: o Legislativo foi fechado. E não estamos em regime de exceção. Foi lacrado sim, mas por ação de seus servidores. É, no mínimo, o desmoronamento de um poder que apodreceu e ainda não se deu conta de seu estado. Um poder que ouve um delegado de Polícia Federal, mesmo exercendo o cargo de superintendente, chamá-lo de ?aquilo ali?, referindo-se à Casa de Tavares Bastos, e não se manifesta por meio de seus pares, é de dar-nos pena. Lembro que é preciso muito cuidado no trato com a democracia. Ela necessita de respeito para que não venhamos a sofrer danos, que em outras épocas nos afligiram. Pelo que vemos, ao invés de lagartas taturanas, chegadas às folhas ? inclusive de pagamento ? o Legislativo foi atingido por uma praga muito maior, como seja, imensos cupins a corroerem os alicerces dessa coluna essencial à boa harmonia entre os poderes, para que tenhamos, no dizer do meu estimado amigo, prof. Gilberto de Macêdo, ?uma sociedade adequada, isto é, democrática?. (*) É bacharel em Economia.