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Opinião

O servo de Deus, Paulo VI, papa

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| CÔNEGO HENRIQUE SOARES * Meu artigo desta semana deseja ser uma homenagem ao papa Paulo VI. No último 6 de agosto completaram-se trinta anos de sua morte. Giovanni Battista Montini ? este o seu nome de batismo ? foi um grande papa. Pastoreou a Igreja de Cristo durante 15 anos, num período tremendo de dificuldades: primeiramente, conduziu e levou a bom termo o Concílio Vaticano II, enfrentou as agitações e incertezas do período pós-conciliar, e deparou-se com as agitadas décadas de sessenta e setenta: o movimento de 68, a Guerra do Vietnã, a profunda secularização da sociedade, o relaxamento moral... O papa tudo enfrentou com prudência, paciência e muito sofrimento interior. Foi um homem de Deus e da Igreja, um homem sensível a tudo quanto diz respeito ao bem da humanidade. Eis alguns trechos do seu testamento: ?Fixo o olhar no mistério da morte e naquilo que a segue, na luz de Cristo, o único que a ilumina; e, por isso, com humilde e serena confiança. Percebo a verdade deste mistério, que para mim refletiu-se sempre na vida presente, e bendigo o vencedor da morte por haver afugentado as trevas e revelado a luz?. ?Sinto que a Igreja me circunda. Ó santa Igreja, una e católica e apostólica, recebe, com minha abençoante saudação, o meu supremo ato de amor! A ti, Roma, diocese de São Pedro e do vigário de Cristo, diletíssima a este último servo dos servos de Deus, a minha bênção mais paterna e mais plena, para que tu, Cidade do Mundo (Urbe do Orbe), seja sempre recordada da tua misteriosa vocação... Sobre aquilo que mais importa, despedindo-me da cena deste mundo e caminhando ao encontro do juízo e da misericórdia de Deus, deveria dizer tantas coisas, tantas sobre a situação da Igreja. Que ela guarde algo das nossas palavras que para ela pronunciamos com gravidade e amor. Sobre o Concílio: que se veja como conduzi-lo a bom termo e se proveja que se executem fielmente suas prescrições. Sobre o ecumenismo: que se prossiga a obra de aproximação com os irmãos separados, com muita compreensão, com muita paciência, com grande amor, mas sem se afastar da verdadeira doutrina católica. Sobre o mundo: não se creia de servir-lhe assumindo seus pensamentos, costumes e gostos, mas estudando-o, amando-o e servindo-o. Fecho os olhos sobre esta terra dolorosa, dramática e magnífica, suplicando ainda sobre ela a divina bondade. E à Igreja, à diletíssima Igreja católica, à humanidade inteira, a minha bênção apostólica. Depois: in manus tuas, domine, commendo spiritum meum (nas tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito)?. (*) É sacerdote e professor de Teologia.

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