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Fogo amigo

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| MARCOS CARNAÚBA * Vivendo e aprendendo, diz a sabedoria popular que nos mostra as artimanhas de que é capaz o bicho homem em sua sede de enganar o próximo inclusive os seus vizinhos de apartamentos. Decidi escrever após a campanha da Ceal que usa os meios de comunicação para transmitir mensagens intimidativas aos que, com muita freqüência, diga-se de passagem, fazem ligações diretas da rede externa para usá-la sem registro no medidor, consumindo energia, portanto, às custas de todos os brasileiros. A legislação dá, às concessionárias, o poder de penalizar esse tipo de desvio de conduta, mas aí cessa, no medidor externo, a sua competência nada podendo fazer para combater o desvio de energia intramuros que só passei a entender possível, e difícil de ser descoberto, quando fui morar em apartamento. A família, de tamanho médio; equipamentos elétricos comuns e o consumo alto variando ao longo dos meses. Saem as filhas para estudar e trabalhar fora, o consumo que deveria baixar, aumentou. Implantaram sensores de presença para só manter acesa uma lâmpada quando alguém surge no hall, e o consumo do condomínio aumentou, ao invés de diminuir. O levantamento de cargas não justificava o consumo elevado me levando a uma investigação técnica mais acurada que concluiu pela existência de caminhos internos que permitiam, facilmente, a qualquer condômino ligar o seu circuito elétrico no do condomínio, no meu, ou de qualquer outro morador. A queima do revestimento de um cabo do condomínio por superaquecimento, na caixa de entrada do prédio, foi o sinal incontestável de sobrecarga com riscos de incêndio por curto-circuito. Iniciei uma odisséia de consultas à Ceal, Aneel e Arsal, na busca do consumo individual de cada unidade habitacional para efeito comparativo, recusado em todas as instâncias por ser direito individual inviolável. E o consumo aumentando assim como as despesas do condomínio hoje sob verdadeira lei do cão, pois crescem a cada mês. Fiz diagramas elétricos, vistoriei caixas, analisei um ponto de luz de segurança interna nos apartamentos que era alimentado pelo condomínio e pelo gerador concluindo pela facilidade de, na maioria dos edifícios, desviar o consumo de energia de apartamentos para os circuitos de vizinhos, de qualquer pavimento, ou para o condomínio. Hoje sob revisão elétrica feita por técnicos especializados, fixação de caixas de passagem com lacres e rebites, resolvi alertar aos condomínios para terem cuidado com o que associei ao jargão policial de fogo amigo. (*) É engenheiro civil e consultor.

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