Opinião
Ainda os templos do Nepal
| LYSETTE LYRA * Visitamos, também, o bonito Monastério de Boudhanah, próprio para a meditação. Festejavam as ?vipassaina? dez dias de retiro e oração. Nesses momentos, os monges só comem arroz e lentilhas. Outras Stupas menores (templos onde se ora somente no exterior), sempre com os olhos de Bhudda desenhados na parte que separa a cúpula do cone alto e ornamentado que as encimam. Daí fomos admirar os bonitos templos Dboka Durbar, dedicados ao deus macaco, Hanuman e ao deus Kala Bhairava. Magníficos, sempre com dois, três telhados superpostos e detalhes em madeira entalhada. Hoje iremos a Patan. Recentemente restaurada. É a mais antiga das velhas cidades do reinado do vale de Khatmandu. É o exemplo da artezania budista. A Praça Durbar, no Centro da cidade, está cercada de templos onde observamos o bom gosto e o talento dos arquitetos e artesãos que os edificaram. O solene Palácio se estende de um lado e uma porção de templos se agrupam nas áreas públicas. Colunas, encimadas por estátuas de devotos em atitudes religiosas se elevam em frente aos santuários. O de Garuda é dedicado a Krishna, e é hinduísta, assim como o pequeno templo de domo branco onde o Deus Shiva é consagrado. Datam da dinastia dos Mallas. Edificados no princípio do 17º século. Em alguns deles vemos, à entrada, esculturas de animais sagrados. No prédio ocupado pelo Museu de Patan, uns dos mais bonitos, encontramos significativa representação da arte sagrada nepalesa. Ocupa o antigo Palácio. Construído em pedras de tom rosa, é todo enfeitado com maravilhosas esculturas em pedra mais escura. No interior deparamo-nos com um tanque para banhos, de forma octogonal, feito em pedra lavrada com dois leões, esculpidos no mesmo material, montando guarda em um de seus lados. Junto fica o Mosteiro Budista que foi edificado duzentos anos mais tarde. Saindo da praça descobrimos um labirinto de tortuosos becos ladeados de construções formosas. Quase todos os edifícios guardam o mesmo estilo de telhados superpostos. No meio da praça erguem-se colunas de pedra encimadas por figuras sagradas em atitudes religiosas. À noite fomos jantar num restaurante típico. Experimentamos vinho indiano. Muito bom. A comida superapimentada não agradou. Mas as danças folclóricas, executadas após a refeição, foram interessantes. Animados por uma pequena orquestra de atabaques e outros estranhos instrumentos, jovens, trajando vistosas roupas enfeitadas de penas e fitas coloridas, executaram bailados alegres originários das diversas regiões do Nepal. (*) É escritora.