Opinião
Estar bem na vida conjugal
| DOM FERNANDO IÓRIO * Estar bem no casamento significa estar bem com as virtudes e os defeitos do outro. Pessoa alguma se casa com uma ilusão, nem com uma idealização, nem muito menos com um sonho, senão com uma pessoa de carne e osso, com qualidades e defeitos. Não existe receita única, válida para qualquer casamento, mas, certamente, ninguém pode estar bem com outra pessoa se não vai bem consigo mesma. Entretanto, quando alguém está atravessando situações difíceis, dentro da família, não deve desesperar-se ou fugir, mas procurar encontrar, dentro da dificuldade, elementos positivos ou úteis para aumentar seu grau de crescimento psicológico e espiritual. Mas, até onde se pode ir para salvar a família? Até onde se queira, desde que salvaguarde a si mesmo. Na verdade, o cônjuge que não aceita o outro não é maduro, mas inseguro, vítima do complexo de inferioridade, porque tem medo do crescimento do outro. Destruir juntos e de comum acordo as falsidades individuais é o primeiro objetivo de um bom casamento. De certo, não se comunica com o outro quem sempre se sente vítima. Não se comunica quem sempre quer julgar. Não se comunica quem sempre quer mudar o outro e não a si mesmo. Julgar o outro e polemizar só para fazê-lo mudar leva, inevitavelmente, com o decorrer do tempo, a rancores e frustrações recíprocas. Torna-se necessário aceitar os próprios pontos fracos, bem assim os pontos negativos do outro para que o casamento comece a ir bem. Ajudar o outro, valorizá-lo, fazer vir à tona a melhor parte do outro, elogiá-lo quando o outro é brilhante e merece um abraço, tudo isso fará o casamento ser bem melhor. Crer no outro, crer na possibilidade de os dois se superarem juntos é o verdadeiro caminho de vencer as barreiras das dificuldades. A confiança em si mesmo e no parceiro é uma das maiores forças do casamento. Sendo assim, a vida de família, mesmo cheia de riscos, vale a pena ser vivida. No final de contas, por mais unidos que sejam os dois e por mais que se amem e sejam um do outro, jamais um homem entenderá o todo de uma mulher e vice-versa. Tudo porque nenhum dos dois consegue perder sua profunda identidade que constitui a unidade na diferença. Ser feliz, portanto, é dar novos significados ao que está acontecendo em nossa vida. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.