Opinião
Cidades e ambiente - Editorial
Em meio as infindas polêmicas geradas pelas preocupações ambientais, tem sido registrada uma clara tendência de reavaliação do valor dos centros urbanos. Antes vilã, a grande cidade começa a ser apresentada como mocinha na fita. A tese central onde se apóia o movimento pelo resgate do papel positivo dos grandes aglomerados urbanos diz que ?a concentração de pessoas reduz o consumo de recursos naturais, mantém vastas áreas ricas em biodiversidade livre da interferência humana e cria um solo fértil para inovações?. Os defensores desta tese, porém, chamam a atenção para os cuidados impostos pela realidade: ?A intervenção de arquitetos, urbanistas, engenheiros e todos responsáveis pelo desenho urbano deve ser feita de forma cuidadosa, para que cidades se mantenham habitáveis para um número crescente de pessoas. A cada semana, as áreas urbanas de todo o mundo recebem um milhão de novos indivíduos?, adverte um estudioso. Por outro lado outro pesquisador diz que ?a melhor maneira de poupar o meio ambiente é criar uma ocupação mais intensiva e menos extensiva?. E assim os defensores do bem proporcionado pelas metrópoles vão desfiando suas idéias e esperanças. Que sirvam como alento verdadeiro para todas as populações cada vez mais apinhadas nos grandes e médios centros urbanos. Na vida real, entretanto, a força centrípeta crescentemente exercida pelas cidades maiores tem, em muito, dificultado a vida de seus moradores e provocado danos ambientais consideráveis e crescentes, especialmente em função da explosão populacional citadina estar (em todo mundo) umbilicalmente ligada à multiplicação das populações de baixa renda ? excluídas (aqui e alhures) dos benefícios da modernidade. Sem a correta análise social, e a implantação de soluções conseqüentes, o papel positivo das grandes cidades é mera ilusão.