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Inativo, esse fantasma perseguido

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| JOSÉ SEBASTIÃO BASTOS * O título acima pertence ao grande poeta, homem de letras, Carlos Drummond de Andrade, quando dos seus famosos artigos, defendendo a sofrida classe dos inativos e pensionistas, ainda hoje tratada com desdém pela administração pública federal. Até o Supremo Tribunal Federal, no ano de 2004 acolheu Ação de Inconstitucionalidade impetrada pelo governo federal, que obriga o inativo a recolher contribuição de 11% dos seus proventos em favor da Previdência Social, quantia esta que o servidor público já recolhia durante a sua plena atividade profissional. O aposentado que foi servidor público de ontem, com seus 35 anos de serviço, passou a ser hoje o inativo, isto é, fora de uso, o relegado, o ?sem atividade?, o paralisado, talvez por força de sua idade. Contrariando os exemplos de alta capacidade intelectual em famosas mentalidades do passado antigo e recente, como Bertrand Russel, gênio inglês, falecido aos 99 anos, publicou seus diversos livros, principalmente na melhor ou 3ª idade, com seus cabelos prateados. Victor Hugo, ilustre figura das maiores celebrações da França, na dramaturgia, no romance e no ensaio político. O consagrado e sempre lembrado Papa João Paulo II, com as suas memoráveis encíclicas, afirmou: ?Os anciãos ajudam a contemplar os acontecimentos com mais sabedoria, porque as vicissitudes os tornaram mais experimentados e amadurecidos. Eles são guardiões da memória coletiva e, por isso, intérpretes privilegiados do conjunto de idéias e valores humanos que mantêm e guiam a convivência social?. Com as cabeleiras nevadas no Brasil, temos os exemplos de Rui Barbosa, Machado de Assis, José de Alencar, os alagoanos Pontes de Miranda, Aurélio Buarque de Holanda, ilustres intelectuais de fama internacional. No campo civil tivemos ao lado de Afonso Pena, Nilo Peçanha, Rodrigues Alves, Washington Luís e Getúlio Vargas e estadistas outros que marcaram a sua passagem administrativa no País, já na 3ª idade. Na área militar, tivemos as figuras impolutas do Duque de Caxias e do alagoano General Góes Monteiro, grandes estrategistas da América Latina. Diante tudo isso, até quando continuará essa perseguição aos inativos? (*) É procurador de Estado aposentado e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.

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