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Hist�ria e mis�ria

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| WAGNER WILLIAMS * A divulgação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre redução da pobreza no Brasil (queda de 8,8%) denunciou o número sórdido de 3,123 milhões de indigentes, contrastando com o aumento de US$ 8,195 para US$ 8,402 do produto per capta (PPC) do País, como expôs o Pnud (Programa das Nações para o Desenvolvimento). Tal contraste vai de encontro à especulação de que somente o crescimento econômico soluciona a pobreza, já que, no Brasil, aumentar o PIB não é aumentar a qualidade de vida. Reportando isso para a sociedade alagoana com seu atual trajeto de desenvolvimento, é possível entrever os rastros indigentes duma camada populacional que nela habita, os miseráveis, mendigos, subumanos alojados debaixo dos trópicos da pobreza. A permanência deles, na conjuntura econômica em curso, é imprescindível para garantir a extravasão de lucros, de sorte que se assegure a concentração de renda a apenas 10% dos alagoanos ricos, segundo o Ipea. Esses nossos paupérrimos coestaduanos se incluem aos analfabetos que são da ordem de 1.450.000 no Estado, na mostra do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas); os que conseguem estudar passam míseros quatro anos na escola, conforme a Unesco, e vivem só 66 anos, de acordo com o IBGE. Com efeito, a Terra dos Marechais históricos é o recorte mais vergonhoso da desigualdade social no Brasil. Aquém dos participantes do desenvolvimento desta sociedade, os indigentes, padecendo na inanição, marginalizados do meio social, discriminados, não terão seu nomes em fachadas de hospitais, em viadutos, em placas de avenidas, no pórtico das escolas, porque se encontram impedidos pelos meios materiais de fazer história. O direito de fazer a própria história é, a um só tempo, a síntese e o fruto de todos os direitos. Não lhes fosse negado, esses moradores das sarjetas contribuiriam com o progresso deste lugar. Deles lograríamos sábios governantes, renomados cientistas, ilustres escritores, talentosos artistas, imbatíveis atletas, insignes pensadores, excelentes tecnólogos; em suma, teríamos uma mão-de-obra influente, capaz de co-pilotar, rumo a um progresso imediato, a marcha histórica da subdesenvolvida Alagoas. Infelizmente, a história é outra... Entretanto, uma sociedade que torna estéril a capacidade do indivíduo de alterar a realidade por meio da ação consciente distancia-se duma história de êxito e aproxima-se de um outro tipo: a história da miséria. (*) É estudante de Letras da Ufal.

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