Opinião
Corre��o de rumos � poss�vel
| MARCOS DAVI MELO * Em uma semana dominada localmente pela nomeação do desembargador Antônio Sapucaia para o labiríntico Detran; nacionalmente pela sentença do STF de que as algemas devem ser usadas com mais critério; o resultado de uma pesquisa nacional importantíssima passou despercebido do grande público: o perfil do eleitor brasileiro feita pela AMB. Com a proximidade das eleições municipais, a pesquisa da Associação dos Magistrados sobre o perfil do eleitor mostrou o que todo mundo sabia, mas fazia beiçinho: o eleitor detesta a maioria dos políticos nacionais; não acredita no sistema eleitoral e se pudesse não sairia de casa para votar; antes iria para a praia tomar uma cerveja com os amigos. A pesquisa ainda mostra outros dados inquietantes: os eleitores votam pensando muito mais em seus interesses imediatos e de suas famílias do que no País. É apenas mais uma confirmação sobre o caráter egoísta e individualista da nossa sociedade? Ou uma conseqüência do descrédito dos políticos? Quem veio primeiro: o ovo ou a galinha? A prática do se tudo está perdido, quero pelo menos salvar os meus interesses e os de meus parentes é selvageria pura. Afinal, para que servirá a pesquisa? A AMB propõe como saída uma reforma política ampla, o que provavelmente poderá ser útil, mas não se sabe até que ponto poderá mudar o perfil cético do eleitor. Fica patente, mais do que nunca que as autoridades têm um amplo e árduo trabalho pela frente, que começa não só pelo combate ao voto comprado, como pela preservação das poucas figuras públicas com as quais a sociedade se identifica e que servem de exemplos para que o descrédito nas instituições não seja ainda maior. Para a preservação das poucas figuras públicas incontestáveis, todos os esforços se justificam; daí, a nomeação do desembargador Antônio Sapucaia para o Detran surge como um desafio considerável. Ele é justificadamente o mais cultuado homem público dos últimos tempos em Alagoas, sua nomeação é um risco que deve ter sido muito bem calculado pelo governo do Estado. Se o Detran for realmente o que se fala e não sendo esta área do conhecimento e do domínio de sua excelência, correm-se riscos de desgastá-lo além do suportável. Mas a máquina pública alagoana é tão pesada, tão ineficiente e perdulária, ao mesmo tempo em que o Estado é tão pobre quanto sem maiores perspectivas, que a nomeação do dr. Sapucaia, mesmo acarretando-lhe incontáveis riscos ao chegar ao olho do furacão, serve de alento e de esperança para a nossa sociedade no sentido de que uma correção de rumos é possível. (*) É médico e professor da Uncisal.