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Pobre Alagoas, pobre...

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| RONALD MENDONÇA * Embora o espírito esportivo caiba em qualquer idade e circunstância, a prática esportiva com finalidade de competir com chances de vitória é praticamente restrita a uma faixa etária bem específica. Ninguém imagina ver, por exemplo, daqui a quatro anos nossa Daiane dos Santos executando duplo-twist ao som do Brasileirinho. Aliás, o estouro precoce de ossos, músculos e ligamentos deixa claro que aquela modalidade esportiva é um estupro à anatomia e fisiologia do corpo humano. Contudo, apesar do envelhecimento, não é raro encontrarmos atletas que, vencendo os tempos, vão além e não só se ombreiam a jovens, mas os superam. Por vivência própria, não exatamente por desempenhos em quadras e piscinas, acho que compreendo o sentimento de glória íntima vivido por esses ?velhinhos? que conseguem dobrar os tempos. Entre nós e há bem pouco tempo, o grisalho Romário, sem a impetuosidade de antanho, é verdade, dava imenso calor às zagas adversárias. A esse respeito, a revista Veja da semana traz matéria enumerando vários atletas que, a despeito da idade, disputaram ou estão disputando medalhas olímpicas. Se levarmos em conta o mais longevo, o registro histórico é para um encanecido cavalheiro sueco, com jeito de mórmon, que aos 72 anos ganharia medalha de prata competindo na modalidade de tiro. Nessa quadra não fazemos feio. Fofão, levantadora da vitoriosa seleção de vôlei tem 38 anos e exibe uma saúde de adolescente. No hipismo, outra figura que pontificou anos a fio, sem dar vexames, foi o cavaleiro Pessoa. Como nem só de esportes vivem os ?mais experientes?, aproveito o gancho para cumprimentar o governador Vilela pela escolha do setentão Antônio Sapucaia para o Detran-AL. Conhecido reduto de falcatruas, o Detran de Alagoas é uma ferida fagedênica dentre tantas da administração pública estadual. O que se comenta sobre o desvio de dinheiro do Detran nos últimos governos (no plural, mesmo) é de arrepiar. Dos relatos folclóricos, consta que durante um atendimento ao público, jazia sobre a mesa do diretor geral inocente mala. Num dado momento, inadvertidamente, a mala escapou e caiu no solo espalhando maços de notas de 100 e 50 reais. Depois de pedir desculpas, o militar (o diretor era um militar) recolheu apressadamente os pacotes. Daí a pouco, um emissário do governador de então adentrou-se na sala, cumprimentou os presentes, abraçou o milico e carregou a maleta premiada... Pobre Alagoas, pobre... (*) É médico e professor da Ufal.

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