Opinião
Disc�pulos e mission�rios: objetivo do Ano Paulino
| DOM ANTONIO MUNIZ * ?Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz todos os dias e siga-me? (Lc. 9,23). Configurar-se a Cristo é assumir uma atitude de seguimento incondicional do Mestre, é contemplá-lo como modelo sublime daquilo que caracteriza nossa identidade mais profunda; é assumir o quotidiano de nossa vida como lugar onde se configura nossa plena imitação, fazendo o que ele fez, tendo o seu sentimento em nós, pensando com o pensamento de Cristo, amando com o coração de Cristo, agindo com as mãos de Cristo. Isto exige de nós a capacidade de desenvolver uma intimidade profunda com o Senhor, a fim de que possamos, de fato, conhecê-lo e reproduzir a sua imagem em nós, e fazê-la resplandecer no mundo através de nossa presença e de nossa missão. Somente o cultivo de uma íntima e amorosa união com Cristo poderá produzir estes efeitos no concreto de nossas vidas e fazer do nosso sacerdócio um espelho de Cristo para o mundo. O apóstolo Paulo carregava em sua própria carne as ?marcas do Senhor?. Esta intimidade, vivida como valor permanente e quotidiano, através do cultivo da oração, vai pouco a pouco levando o sacerdote a participar do mesmo destino de Jesus. Como discípulos, nós nos empenhamos em conformar-nos ao Cristo crucificado, espoliado de sua condição divina: esta é a meta e o caminho de nossa existência. O destino de cada discípulo/missionário está, pois, configurado ao Senhor na sua condição de servo, naquela entrega sem reservas de sua vida em obediência ao desígnio do Pai. A resposta mais generosa é, portando, também fazer-se servo. Esta identificação construída como projeto de vida, através de nossa adesão sem restrições a Cristo, faz dele nossa terra prometida, espaço onde o amor flui como resposta, num movimento contínuo até não haver mais divisão ou separação. Viver em Cristo e deixar que Ele viva em nós, nesta troca amorosa, deve ser o dinamismo que marca o compasso da sinfonia da vida conduz-nos à plenitude da perfeição de nossa identificação com ele: ?Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente, eu a vivo pela fé no Filho de Deus que me amou e se entregou a si mesmo por mim? (Gal. 2, 20). (*) É religioso da Ordem Carmelita e arcepispo Metropolitano de Maceió.