Opinião
Por uma conviv�ncia harmoniosa
| JOSÉ MEDEIROS * Os tempos recentes nos têm mostrado um grande crescimento do individualismo, do ?estar voltado para si?, no sentido negativo: egoísmo, sentimento excessivo de valorização da própria personalidade; entretanto, essa maneira de pensar tem seu lado positivo, quando o objetivo é uma viagem interior, ou seja, o aprendizado sobre nós mesmos, aperfeiçoamento do comportamento, da conduta e do desempenho na vida social. Temos perdido, cada vez mais, a capacidade de viver harmoniosamente. É grande a extensão de males deste mundo proveniente de uma má relação que nutrimos uns com os outros. Em muitos casos, é possível evitar que diferenças pessoais nos levem a esquecer os elementos comuns que nos unem, o de ser possível construir pontes que aproximam, em lugar de muralhas que separam. No transcurso do Dia dos Pais, muitas famílias não conseguiram reunir seus filhos, separados por divergências e conflitos anteriores. Há uma parábola sobre convivência, que narra uma ocorrência muito remota, quando parte do nosso globo terrestre foi coberta de gelo e muitos animais foram mortos por conta do frio intenso. Naquele cenário hostil, uma grande manada de porco-espinho, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a unir-se, juntar-se, cada vez mais. Assim, cada um podia sentir o calor do outro. E, todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se, mutuamente, aqueciam-se, agüentando aquele inverno tenebroso. Porém, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente os que forneciam mais calor, vital naquele momento de vida ou morte. Então, muitos dos feridos afastaram-se, magoados, sofridos. Dispersaram-se, porque não suportavam mais os ferimentos provocados pelos espinhos dos companheiros. Todavia, o afastamento mostrou que não era a melhor solução. Perderam o calor que os salvava. Separados, começaram a morrer congelados. Os que sobreviveram voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com precauções, de forma que, mesmo unidos, mantivessem uma pequena distância, o suficiente para evitar ferir uns aos outros. Venceram o longo período do frio congelante. Qualquer semelhança com a espécie humana não será mera coincidência. É possível partilharmos da convivência, sem ferirmos o outro, basta que obedeçamos a regra que chamamos de respeito mútuo: assim, sobreviveremos com mais qualidade. (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.