Opinião
Primeira noite de paz
| PASCHOAL SAVASTANO * Singulares caminhos e especiais situações levam ao ser humano vivenciar o sentimento de paz. A conquista da liberdade, o cumprimento de uma árdua missão ou a superação de graves obstáculos, representam exemplos redentores. Anseios pessoais projetam a realidade pacífica do nosso mundo interior. Dentro do desenrolar de recente acontecimento, um influente empresário do Centro-Sul do País, alvo de envolvimento em apuração criminal, confessou que, ao sair da prisão, ao regressar ao seu lar, viveu uma noite de solidários cumprimentos e depois, dormiu copiosamente, parecendo não acordar jamais. No entanto, a verdadeira paz decorre dos nobres sentimentos. Da prática do bem e do respeito ao próximo. Valores que revigoram o espírito e asseguram dignidade à pessoa humana. Ajudam a construir projetos sérios e a não perder a confiança no amanhã. A capacidade de sonhar se constitui a essência da vida. A melancólica ausência de rumos anula a existência humana. A obra-prima do cineasta Valério Zurlini, chamada ?A primeira noite de tranqüilidade?, baseada no livro de Goethe, significa a evidência da morte. A amargura de um dos personagens explica: ?Porque finalmente se dorme sem sonhos?. As instituições crescem através dos ideais de seus dirigentes. A harmonia entre os poderes constituídos, preconizada historicamente por Rousseau, permanece fundamental, através dos tempos. Desencontros silenciosos ou disputas episódicas, reacendem a necessária preservação dos postulados da democracia. Os homens não podem desprezar o governo das leis nem o novo olhar da população. Constantes avaliações condenam erros ou aplaudem atitudes corretas. A Ciência Política ensina que existe uma esperança na humanização do poder e no valor da consciência da liberdade. Muitos se empenham para figurar seu nome na evidência do curso dos acontecimentos, ao lado de discretas contribuições ou de decisivas participações. Mas, o cumprimento do dever representa a mais simples e substancial forma de perenizar lembranças. As instituições não adormecem, possuem objetivos permanentes. Seus dirigentes, para afirmarem os caminhos da paz, enfrentam implacáveis questionamentos. Honram as expectativas de seus contemporâneos, ao dominar injunções internas e ao fazer prevalecer os princípios que fortalecem seus destinos. (*) É advogado ([email protected]).